Distrito Federal

Banco de Brasília planeja aumento de capital bilionário e aposta em emissão recorde de ações

Foto: Paulo H Carvalho/Agência Brasília

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Proposta será votada em março e depende do aval da CLDF e de acionistas para viabilizar reestruturação após impactos de operações com o Banco Master

O Banco de Brasília (BRB) apresentou ao mercado uma proposta de aumento de capital que pode alcançar R$ 8,86 bilhões, elevando o capital social da instituição dos atuais R$ 2,34 bilhões para R$ 11,2 bilhões. A operação prevê a emissão de até 1,67 bilhão de novas ações ordinárias, ao preço de R$ 5,29 por papel, em uma das maiores movimentações societárias da história do banco.

A proposta será deliberada em Assembleia Geral Extraordinária, prevista para março de 2026, e integra um plano de reestruturação financeira após o crescimento dos ativos ponderados pelo risco e os impactos negativos de operações realizadas com o Banco Master nos últimos anos.

Reforço de capital e Índice de Basileia

Segundo o BRB, o objetivo central da operação é fortalecer a base de capital e preservar indicadores prudenciais, especialmente o Índice de Basileia, que mede a capacidade da instituição de absorver perdas e manter a estabilidade diante de oscilações do mercado.

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O banco sustenta que o reforço patrimonial é essencial para recuperar a confiança de investidores e garantir condições de captação mais favoráveis. A emissão das novas ações poderá diluir a participação de acionistas que não acompanharem o aumento de capital.

Papel do GDF e imóveis como garantia

Controlador de 71,92% das ações do BRB, o Governo do Distrito Federal articula medidas paralelas para viabilizar a recomposição financeira da instituição. Um projeto de lei encaminhado à Câmara Legislativa do Distrito Federal autoriza a transferência de nove imóveis públicos, avaliados em cerca de R$ 6,6 bilhões, para utilização como garantia em operações de crédito ou eventual alienação.

Entre os ativos previstos estão:

  • Seis lotes no Setor de Indústria e Abastecimento, vinculados à Caesb, CEB e Novacap;
  • A sede do Centro Administrativo do DF, em Taguatinga;
  • Uma gleba de 716 hectares pertencente à Terracap.

Com essas garantias, a expectativa é ampliar o acesso a linhas de crédito, possivelmente junto ao Fundo Garantidor de Crédito, permitindo ao banco recompor seu balanço patrimonial em condições mais favoráveis.

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Resistência política e investigações

Apesar do discurso de urgência do governador Ibaneis Rocha, que classificou a medida como fundamental para a “sobrevivência” da instituição, o projeto enfrenta resistência entre deputados distritais. A tramitação na CLDF foi recentemente adiada por falta de consenso, refletindo preocupações sobre a transferência de patrimônio público e os riscos fiscais da operação.

O banco também permanece sob escrutínio político e institucional. A CPI do Crime Organizado apura operações financeiras envolvendo o caso Banco Master, o que mantém a instituição no centro do debate público.

Próximos passos

O futuro da capitalização dependerá de dois movimentos decisivos: a aprovação do projeto de lei pela CLDF e o aval dos acionistas na assembleia marcada para março. Caso ambas as etapas avancem, o BRB poderá realizar uma das maiores emissões de ações de sua história, redefinindo sua estrutura patrimonial e sua posição no mercado financeiro regional.

Enquanto isso, o cenário segue marcado por incertezas políticas e pelo desafio de restaurar a confiança de investidores e da população do Distrito Federal.

 

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