Entre 2025 e fevereiro de 2026, duas frentes especializadas do Ministério Público de Mato Grosso do Sul o Gaeco e o Gecoc deflagraram 16 operações que, somadas, desenham um retrato persistente de captura do poder público em municípios de Mato Grosso do Sul. O padrão se repete: contratos direcionados, dispensa irregular de licitação, superfaturamento e pagamento de propina com recursos que deveriam financiar saúde, infraestrutura e serviços básicos.
O volume de investigações não apenas evidencia a capilaridade dos esquemas, mas também expõe a fragilidade dos mecanismos de prevenção e fiscalização. Em vez de episódios isolados, as operações revelam uma dinâmica contínua de drenagem do dinheiro público por gestores, servidores e empresários que transformam a máquina administrativa em instrumento de lucro privado.
Casos recentes ilustram a dimensão do problema. Em Coxim, a operação Lucro Certo apontou pagamento superior a R$ 1,5 milhão por serviços jurídicos sem comprovação de execução. Em Campo Grande, a Apagar das Luzes identificou suspeita de superfaturamento acima de R$ 62 milhões na manutenção da iluminação pública. Já em Sidrolândia, a Dirty Pix apurou desvio de R$ 5,4 milhões destinados à compra de equipamentos hospitalares, com indícios de vantagens indevidas a agentes políticos.
Outras investigações, espalhadas por municípios como Terenos, Bonito, Miranda, Três Lagoas, Água Clara, Rochedo e Aquidauana, reforçam a existência de organizações estruturadas para fraudar licitações, simular concorrência e garantir vitórias pré-arranjadas em contratos milionários. Em alguns casos, houve prisões, afastamentos de servidores e bloqueio de bens medidas que, embora relevantes, ainda parecem insuficientes diante da recorrência dos fatos.
O quadro geral sugere que o combate repressivo, por si só, não tem sido capaz de interromper o ciclo. A repetição de esquemas semelhantes indica falhas sistêmicas de governança, transparência e controle interno nas administrações municipais, além de baixa efetividade de sanções administrativas e políticas. Sem reformas que fortaleçam auditorias independentes, ampliem a digitalização dos processos licitatórios e aumentem a responsabilização de agentes públicos e empresas, novas operações tendem a continuar surgindo.
Mais do que números ou nomes de operações, o que se revela é um custo social profundo: cada contrato fraudado representa menos atendimento médico, menos infraestrutura e menos qualidade de vida para a população. O mapa traçado pelas 16 ações do Ministério Público não é apenas o da corrupção — é também o das consequências diretas da impunidade sobre os serviços públicos essenciais.
Com informações do site Campo Grande News.





















