A Câmara Municipal de Campo Grande decidiu barrar a instalação da CPI da Saúde em meio a denúncias de supostas irregularidades milionárias na rede pública municipal. Nos bastidores, vereadores da oposição atribuem o fracasso da comissão a uma articulação conduzida pelo presidente da Casa, vereador Papy (PSDB), que teria atuado para evitar a obtenção das assinaturas necessárias para a abertura da investigação.
O requerimento precisava do apoio de pelo menos dez vereadores para ser protocolado, mas recebeu apenas oito assinaturas. Com isso, a Comissão Parlamentar de Inquérito foi inviabilizada, mesmo diante de denúncias que envolvem suspeitas de desvios de R$ 156,8 milhões na saúde municipal, falta de medicamentos, escassez de especialistas, demora em consultas e cirurgias, além de problemas recorrentes nas unidades de pronto atendimento.
A derrota da CPI aprofundou o desgaste da atual legislatura, que já enfrenta críticas de diversos setores da sociedade pela atuação considerada tímida diante de temas sensíveis para a população. Para parlamentares favoráveis à investigação, a decisão representa uma renúncia ao papel fiscalizador que cabe ao Legislativo.
Segundo o vereador Jean Ferreira (PT), houve forte movimentação política nos bastidores para impedir que o pedido avançasse. A declaração reforçou a percepção entre os defensores da CPI de que interesses políticos acabaram prevalecendo sobre a necessidade de apuração das denúncias.
O episódio ocorre em um momento de crescente insatisfação popular com a situação da saúde pública da Capital. Entre os fatos apontados pelos defensores da investigação estão denúncias sobre a falta de insumos básicos, mortes de crianças em unidades de saúde e questionamentos envolvendo contratos e a utilização de ambulâncias.
A decisão também ganha relevância eleitoral. Parte dos vereadores que não apoiaram a abertura da CPI pretende disputar cargos de deputado estadual e federal nas próximas eleições. Agora, esses parlamentares deverão enfrentar o debate público sobre a recusa em investigar denúncias envolvendo um dos setores mais críticos da administração municipal.
Com a CPI barrada após a articulação política que garantiu a falta das assinaturas necessárias, a Câmara passa a conviver com novas cobranças da sociedade por transparência e esclarecimentos sobre os problemas que afetam a saúde pública de Campo Grande.
Com informações do site O Jacaré



















