Depois de uma arrecadação abaixo do esperado em 2024, o Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul (Fundersul) voltou a ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão em receitas em 2025. Bancado principalmente pelo agronegócio e administrado pelo governo de Mato Grosso do Sul, o fundo registrou crescimento de 8,5%, embora ainda distante do patamar histórico de 2023.
No ano passado, a receita total somou R$ 1,083 bilhão. Desse montante, R$ 1,049 bilhão vieram das contribuições vinculadas às cadeias produtivas rurais. Outros R$ 12,29 milhões tiveram origem na outorga paga pela concessionária Way pela operação da MS-306, enquanto cerca de R$ 2,5 milhões foram provenientes da Way-112, responsável pela MS-112 e trechos das BRs 158 e 536.
O crescimento absoluto em relação a 2024 foi de R$ 85,2 milhões quando o fundo arrecadou R$ 997,9 milhões. Ainda assim, o resultado permanece abaixo de 2023, ano em que a arrecadação atingiu R$ 1,31 bilhão e permitiu, inclusive, rendimentos financeiros de cerca de R$ 27 milhões.

Alívio fiscal e investimentos
Mesmo sem recompor totalmente os níveis anteriores, a recuperação de receitas em 2025 ajudou a aliviar o caixa estadual. A queda na arrecadação de ICMS sobre a importação de gás natural vinha pressionando as contas públicas, com crescimento de receita inferior à inflação e necessidade de contenção de despesas.
Embora não integre formalmente o Orçamento do Estado, o volume bilionário do fundo garante repasses aos municípios e a manutenção da malha rodoviária estadual. Em 2025, o Fundersul encerrou o período com saldo de R$ 28,9 milhões, após despesas totais de R$ 1,054 bilhão.
Do total desembolsado, R$ 792 milhões foram aplicados diretamente pelo governo estadual em investimentos e R$ 261 milhões repassados às prefeituras — cerca de 25% das despesas.
Destinação dos recursos
As obras rodoviárias concentraram a maior fatia dos recursos. Aproximadamente 30% do valor arrecadado (R$ 311 milhões) foram destinados à implantação de pavimentação asfáltica.
A manutenção e conservação das rodovias estaduais representaram 21,75% das despesas, seguidas por:
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Recapeamento: R$ 76 milhões (7,5%);
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Revestimento primário (cascalhamento): R$ 45,8 milhões (4,5%);
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Pontes e viadutos: R$ 22,1 milhões (2,1%);
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Obras urbanas financiadas diretamente pelo fundo: R$ 61,1 milhões (6%).
Em 2024, as despesas haviam somado R$ 978 milhões. Para 2026, a previsão do governo estadual é gastar cerca de R$ 1,04 bilhão, distribuídos principalmente entre obras rodoviárias (R$ 378,8 milhões), manutenção e conservação (R$ 373 milhões) e transferências aos municípios (R$ 260 milhões).
Origem e estrutura do fundo
O Fundersul foi criado em 1999, durante a gestão do então governador Zeca do PT, com o objetivo inicial de financiar a manutenção de estradas rurais e rodovias estaduais. Ao longo dos anos, o escopo foi ampliado para incluir obras urbanas, funcionando também como apoio financeiro às prefeituras.
A arrecadação é formada por contribuições vinculadas a operações com produtos rurais como soja, milho, carne bovina e florestas plantadas — incidindo quando há benefício de diferimento do ICMS.
Com informações do jornal Correio do Estado.





















