PT aponta risco ao patrimônio público e aciona o MP para impedir participação de Vorcaro na assembleia que discutirá o aumento de capital do BRB
A bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) ingressou com representações no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e na Procuradoria-Geral do DF com o objetivo de impedir a participação do banqueiro Daniel Vorcaro na próxima Assembleia Geral de Acionistas do Banco de Brasília (BRB).
A reunião está marcada para o dia 18 de março de 2026 e deve deliberar sobre o aumento do capital social da instituição, em meio a uma das maiores crises recentes enfrentadas pelo banco público do Distrito Federal.
Representação e alegações
Os deputados distritais Chico Vigilante, Ricardo Vale e Gabriel Magno sustentam que a presença de Vorcaro — ex-CEO do Banco Master — comprometeria a lisura do processo deliberativo. Segundo os parlamentares, há indícios de irregularidades na aquisição de ações do BRB por parte do banqueiro, o que colocaria em risco a governança e o patrimônio público.
A fundamentação da representação cita elementos da chamada “Operação Compliance Zero”, conduzida pela Polícia Federal (PF), que investiga supostas fraudes financeiras e operações de lavagem de dinheiro envolvendo instituições do sistema financeiro.
De acordo com as apurações preliminares, o aumento de capital do BRB entre 2024 e 2025 teria ocorrido por meio de estruturas societárias complexas, descritas pelos autores da representação como “triangulações nebulosas”, dificultando a identificação dos beneficiários finais das operações.
Transações bilionárias sob suspeita
O epicentro da crise envolve a aquisição, pelo BRB, de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito ligadas ao Banco Master. Segundo informações atribuídas à investigação federal, o Master teria emitido cerca de R$ 50 bilhões em CDBs sem lastro de liquidez comprovado e utilizado ativos considerados inexistentes ou superavaliados para sustentar sua saúde financeira.
Parte desses ativos teria sido posteriormente negociada com o BRB, o que, na avaliação de investigadores, pode ter contribuído para um impacto relevante no balanço da instituição pública.
Reação política e medidas do GDF
Em meio ao cenário de instabilidade, o governo de Ibaneis Rocha (MDB) encaminhou à CLDF proposta que prevê a transferência de imóveis públicos para o BRB como forma de reforçar o capital do banco. A medida ainda depende de autorização legislativa e tem sido alvo de críticas da oposição, que questiona a exposição do patrimônio público para cobrir prejuízos decorrentes das operações sob investigação.
A bancada do PT também solicitou, nas representações, a indisponibilidade das ações do BRB adquiridas por Vorcaro e seus representantes até que haja esclarecimento definitivo sobre a regularidade das transações.
Órgãos de controle acompanham o caso
Além do MPDFT e da PF, o caso tem repercussões em outras instâncias. O Banco Central do Brasil acompanha os desdobramentos no âmbito da supervisão do sistema financeiro. O Tribunal de Contas da União (TCU) também analisa possíveis impactos sobre recursos públicos, enquanto questionamentos chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Em novembro de 2025, Daniel Vorcaro foi preso preventivamente pela Polícia Federal enquanto tentava deixar o país, no contexto das investigações em curso. A defesa do banqueiro nega irregularidades e sustenta que todas as operações foram realizadas dentro da legalidade e com conhecimento das autoridades competentes.
A assembleia do dia 18 de março ocorre sob forte tensão política e jurídica. O desfecho das representações poderá influenciar diretamente o futuro da governança do BRB e o rumo das medidas de capitalização propostas para a instituição.




















