A crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master expôs mais do que fragilidades em uma tentativa de operação financeira malsucedida. Ela trouxe à tona dúvidas incômodas sobre o grau de conhecimento e envolvimento das principais autoridades do Governo do Distrito Federal nas articulações que antecederam o escândalo.
Reportagens indicam que a negociação que poderia levar o controlador do Banco Master a ocupar um assento no Conselho de Administração do BRB — não surgiu de forma isolada dentro do banco. Segundo informações publicadas pelo ICL Notícias, o desenho da operação teria sido apresentado previamente ao núcleo político do GDF, incluindo o governador Ibaneis Rocha e a então vice-governadora Celina Leão.
Não há, até o momento, provas de que Celina tenha participado diretamente de decisões financeiras ou da condução técnica do negócio. Ainda assim, o conhecimento antecipado sobre uma operação de alto risco, envolvendo um banco público, levanta questionamentos relevantes sobre o papel institucional da vice-governadoria e os limites entre informação política e responsabilidade administrativa.
Articulações políticas e conexões partidárias
Outro ponto sensível do episódio envolve o pano de fundo político da negociação. Reportagens apontam o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, como articulador nos bastidores da tentativa de acordo com o Banco Master. A atuação teria se dado como ponte entre interesses privados e autoridades públicas.
Celina Leão é filiada ao mesmo partido e integra o mesmo campo político do senador. Essa coincidência não constitui, por si só, irregularidade. No entanto, em um contexto de negociação envolvendo um banco estatal, a sobreposição entre relações partidárias e decisões estratégicas do governo reforça a necessidade de transparência total sobre quem participou das conversas, em que nível e com qual influência.
Da informação prévia à gestão da crise
Com o avanço das investigações e o desgaste político do caso, Celina Leão passou a ocupar um novo papel: o de gestora da crise, já na condição de governadora em exercício. É nesse ponto que surge a principal dúvida pública.
Celina administra apenas os danos políticos de um problema herdado ou lida com as consequências de decisões ou articulações — das quais já tinha conhecimento antes que viessem à tona?
A pergunta não é retórica. Se confirmado que a vice-governadora foi informada previamente sobre a operação, o debate deixa de ser apenas sobre gestão de crise e passa a envolver responsabilidade política. Conhecimento antecipado implica dever de questionar, alertar e, se necessário, barrar iniciativas que possam comprometer o interesse público.
Transparência como obrigação, não como opção
O caso BRB–Banco Master ainda está em apuração, e qualquer juízo definitivo depende das investigações em curso. Mas a ausência de explicações claras por parte do governo alimenta suspeitas e enfraquece a confiança na condução do banco público.
A posição de Celina Leão no centro da crise não parece casual. Ela decorre, no mínimo, de sua presença no núcleo decisório do governo no momento em que a operação foi gestada. Cabe agora à governadora em exercício esclarecer, de forma objetiva, até onde ia seu conhecimento, que alertas foram feitos se é que foram — e por que a negociação avançou mesmo diante dos riscos evidentes.
Em um banco público, silêncio e ambiguidades não são estratégias aceitáveis. São, elas próprias, parte do problema.





















