Em um movimento que levanta sérias dúvidas sobre a gestão dos ativos do Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha (MDB) decidiu colocar o patrimônio da população como garantia em uma tentativa desesperada de socorrer o Banco de Brasília (BRB). O que está em jogo não é apenas uma cifra bilionária, mas a própria segurança de serviços essenciais e áreas de preservação ambiental da capital.
Um “Cheque em Branco” sem Transparência O GDF solicitou ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) um empréstimo de R$ 4 bilhões, oferecendo como lastro nada menos que as participações acionárias de empresas públicas estratégicas, como a Caesb e a CEB, além do próprio BRB. A medida, autorizada pela Lei nº 2165/2026, é vista pela oposição como um “cheque em branco” dado ao governo, dada a falta de detalhamento sobre os riscos reais ao patrimônio público.
O tom crítico se intensifica ao observar os vetos de Ibaneis à legislação. Ao sancionar o texto, o governador rejeitou a obrigatoriedade de divulgar relatórios trimestrais sobre os imóveis utilizados na operação e, de forma ainda mais alarmante, vetou a exigência de um plano formal de retorno financeiro ao Distrito Federal. Sem essas salvaguardas, a sociedade fica às cegas sobre como e quando esses ativos retornarão ao controle estatal.
O Meio Ambiente como Moeda de Troca A lista de garantias inclui ativos que extrapolam o valor financeiro. Estão no pacote nove imóveis públicos, entre eles uma área de aproximadamente 716 hectares na Serrinha do Paranoá. Trata-se de um dos principais mananciais do Distrito Federal, agora vulnerável a ser transferido ao banco e, eventualmente, negociado no mercado através de fundos imobiliários. É o patrimônio ambiental da capital sendo usado para cobrir rombos financeiros.
As Sombras do Banco Master Este socorro de emergência não surge no vácuo. O BRB enfrenta uma profunda crise de confiança e pressões de liquidez após operações polêmicas envolvendo o Banco Master. A Polícia Federal investiga suspeitas de fraude em uma transação de R$ 12,2 bilhões em créditos ligada à instituição.
Enquanto o governo alega que o banco tem condições de pagar o empréstimo e devolver os terrenos, a realidade dos fatos aponta para uma gestão que prefere arriscar a água, a energia e as terras públicas do DF para sustentar uma instituição em meio a investigações federais. No final, a conta da “capitalização” do BRB pode custar muito mais caro aos brasilienses do que os R$ 4 bilhões anunciados.




















