transporte coletivo

Presidente da Câmara propõe rever gratuidades e ignora desigualdade no transporte público

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A declaração do presidente da Câmara Municipal, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), de que é hora de rever as gratuidades no transporte coletivo de Campo Grande escancara uma visão política distante da realidade de quem depende diariamente do ônibus para estudar, trabalhar ou tratar a própria saúde.

Após um ano de debates sobre o colapso do sistema de transporte, Papy escolhe mirar justamente nos usuários mais vulneráveis  estudantes, idosos, pessoas com deficiência e pacientes em tratamento contra o câncer  como se o problema central estivesse nas gratuidades, e não na gestão ineficiente, na frota sucateada, na baixa qualidade do serviço e na falta de fiscalização efetiva do poder público.

O argumento de que “a conta precisa ser paga por alguém” ignora um princípio básico da política social: garantir mobilidade mínima a quem não tem condições de arcar com tarifas cada vez mais caras. Revisar gratuidades sem antes enfrentar contratos, subsídios, lucros das concessionárias e a transparência do sistema soa menos como responsabilidade fiscal e mais como transferência do peso da crise para quem já está no limite.

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Ao afirmar que leis de isenção deveriam ser revistas em todo o país seja em ônibus, água, luz ou impostos  o presidente da Câmara amplia um discurso que relativiza direitos sociais consolidados. A fala também desconsidera que boa parte dessas gratuidades não é privilégio, mas instrumento de inclusão, permanência escolar e acesso à saúde.

É sintomático que, diante de um transporte público precarizado, a solução apontada não seja melhorar o serviço, renovar a frota, reduzir intervalos ou cobrar eficiência das empresas, mas restringir benefícios de quem mais precisa. A inversão de prioridades revela um debate político que parece mais preocupado com planilhas do que com pessoas.

As declarações, divulgadas pelo site Campo Grande News, reforçam a necessidade de um debate mais honesto sobre mobilidade urbana: um debate que comece pela qualidade do serviço e pela responsabilidade do poder público  e não pela retirada de direitos sociais sob o pretexto de equilíbrio financeiro.

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