A Câmara Municipal de Campo Grande atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente. Levantamento do Instituto Ranking Brasil Inteligência aponta que 70% da população desaprovam a atuação da Casa de Leis, enquanto apenas 20% aprovam e 10% não souberam ou não responderam. O resultado expõe um cenário de forte desgaste político e institucional, marcado por críticas à condução administrativa e ao desempenho dos vereadores.
O quadro se agrava quando se observa a avaliação qualitativa: 60% dos entrevistados classificam a Câmara como ruim ou péssima. Apenas 16% consideram a atuação ótima ou boa, enquanto 14% avaliam como regular. Os números refletem um distanciamento crescente entre o Legislativo municipal e a população, indicando perda significativa de confiança pública.
A situação ganha contornos ainda mais severos quando se analisa a percepção sobre a atual gestão. Com apenas 1% de aprovação, o mandato do presidente da Câmara, vereador Papy (PSDB), é apontado como símbolo do que críticos classificam como “declínio sem precedentes” da instituição. A avaliação negativa recai sobre decisões administrativas, condução política e falta de protagonismo em pautas consideradas prioritárias para a cidade.
A pesquisa, registrada sob os números MS-02346/2026 e BR-04749/2026, foi realizada entre os dias 16 e 20 de março, ouvindo mil eleitores com 16 anos ou mais nas sete regiões urbanas de Campo Grande, além dos distritos de Anhanduí, Rochedinho e zona rural. O levantamento possui nível de confiança de 95% e margem de erro de 3,1 pontos percentuais.
Entre as críticas mais recorrentes à atuação dos vereadores, 35,2% afirmaram que os parlamentares “traíram a população” na votação do IPTU. Outros 24,6% apontaram a manutenção da taxa do lixo como motivo de insatisfação. Já 20% criticaram a destinação de recursos ao Consórcio Guaicurus, enquanto 16,8% afirmaram que os vereadores se limitam a apresentar moções e indicações sem impacto prático.
A percepção negativa se amplia com avaliações ainda mais contundentes: 13,6% classificaram os atuais vereadores como os piores de todos os tempos; 10,4% disseram que eles apenas seguem orientações do Executivo; 8,2% afirmaram que a Câmara virou um “puxadinho” da Prefeitura; e 5,8% chegaram a defender o fechamento do Legislativo municipal. Esses números evidenciam um ambiente de descrédito generalizado e insatisfação popular.
Outro ponto sensível foi a avaliação sobre incentivos e renúncias fiscais superiores a R$ 38 milhões destinados ao Consórcio Guaicurus. A medida enfrenta forte rejeição: 85% dos entrevistados se posicionaram contra, enquanto apenas 6% se declararam favoráveis. O resultado reforça a percepção de que decisões de alto impacto financeiro estão sendo tomadas sem respaldo social.
O conjunto dos dados revela não apenas desgaste político, mas também uma crise de representatividade. A população cobra maior independência do Legislativo, transparência nas decisões e atuação mais efetiva na fiscalização do Executivo. Sem respostas concretas, o cenário aponta para um aprofundamento do desgaste institucional e pressiona a Câmara a promover mudanças urgentes para recuperar a credibilidade.























