Distrito Federal

Escândalo no BRB leva oposição a pedir afastamento de Ibaneis Rocha no STJ

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Partidos apontam prejuízo bilionário, uso político do banco público e contradições em depoimentos sobre a tentativa de compra do Banco Master

Um bloco formado por cinco partidos de oposição — PT, Rede, PDT, PCdoB e PV — protocolou, na segunda-feira (26), uma notícia de fato no Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedindo a investigação e o afastamento cautelar do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). A ação aponta possíveis crimes e atos de improbidade administrativa relacionados a operações financeiras entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, que teriam causado prejuízos bilionários aos cofres públicos.

Segundo a petição, Ibaneis teria dado anuência e aprovação direta à tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, operação que, de acordo com os partidos, poderia gerar um rombo estimado em até R$ 12 bilhões ao banco público. O documento também acusa o governador de aparelhamento institucional do BRB, apontando supostos usos do banco para atender interesses pessoais, como patrocínios esportivos e ações de marketing sem relação com a função pública do banco.

Operações sob suspeita

O pedido menciona ainda um episódio considerado “pouco republicano”: em maio de 2025, Ibaneis teria arrematado uma fazenda por cerca de 60% do valor de avaliação em um leilão promovido pelo próprio BRB. O imóvel havia sido dado como garantia em uma operação de crédito não quitada. Somadas, as transações e operações financeiras sob investigação alcançariam cerca de R$ 16,7 bilhões, já sob apuração de órgãos como o Banco Central e a Polícia Federal.

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Depoimentos contraditórios

A crise ganhou novos contornos após o depoimento de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, à Polícia Federal. Ele afirmou ter tratado diretamente com o governador a venda da instituição ao BRB. Ibaneis, por sua vez, nega qualquer participação nas negociações, admitindo apenas encontros sociais com o empresário, mas sustentando que “nunca tratou de banco” com ele.

As negociações, segundo a versão do governo, teriam sido conduzidas por Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB e indicado por Ibaneis. Costa foi posteriormente alvo de mandados de prisão e afastado do cargo por decisão judicial. O Banco Master, por sua vez, foi liquidado pelo Banco Central no segundo semestre de 2025, após investigações por fraudes contábeis, falta de liquidez e inexistência de lastro em carteiras de crédito.

Pressão política e pedidos de impeachment

Além do pedido no STJ, Ibaneis Rocha enfrenta uma escalada de pressão política na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Partidos como PSB, Cidadania e Psol já protocolaram pedidos de impeachment, acusando o governador de crime de responsabilidade e envolvimento direto em operações financeiras irregulares. Este já é o terceiro pedido de cassação enfrentado por Ibaneis desde o início de seu mandato.

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A decisão sobre a abertura de um processo de impeachment cabe ao presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB), aliado político do governador, o que aumenta a tensão institucional e a disputa política em torno do caso.

Caminho jurídico no STJ

Como o STJ é o foro competente para julgar governadores, a notícia de fato será distribuída a um ministro da Corte Especial. O tribunal poderá encaminhar o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR), que avaliará se há elementos suficientes para a abertura de um inquérito formal. Caso haja denúncia e ela seja aceita, será instaurada uma ação penal contra o governador.

A oposição afirma que o pedido de afastamento cautelar tem como objetivo garantir a independência das investigações e evitar interferências políticas na apuração das irregularidades envolvendo o BRB. O caso também possui desdobramentos no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Dias Toffoli, ampliando o alcance institucional da crise.

O episódio aprofunda a instabilidade política no Distrito Federal e coloca a gestão Ibaneis Rocha no centro de uma das maiores crises administrativas e institucionais desde a criação do BRB, com impactos diretos na governança do banco público, nas contas do DF e no cenário político local.

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