Distrito Federal

Após pressão do GDF, Talarico renuncia à presidência do Conselho do BRB

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Pedido formal de afastamento assinado por Celina Leão foi decisivo para saída da antiga cúpula do banco

A renúncia de Marcelo Talarico à presidência do Conselho de Administração do Banco de Brasília (BRB) não foi um gesto espontâneo, mas o desfecho de uma ofensiva política direta do Governo do Distrito Federal (GDF). Documento formal assinado pela vice-governadora Celina Leão (PP), no exercício do governo à época, pediu expressamente o afastamento de Talarico do cargo, abrindo caminho para a substituição da cúpula do banco em meio ao escândalo envolvendo o Banco Master.

O pedido oficial, encaminhado no auge da crise institucional, marcou uma mudança clara de postura do Palácio do Buriti, que passou a tratar a permanência de Talarico como incompatível com o novo discurso de governança, transparência e responsabilização defendido pelo governo. Poucos dias depois, o BRB comunicou ao mercado a renúncia imediata de Talarico e também de Luis Fernando de Lara Resende, ambos integrantes do conselho.

Documento do GDF rompe blindagem política

Até então, Talarico resistia à saída, sustentando que só poderia ser destituído por meio de assembleia de acionistas. A estratégia, porém, perdeu força quando Celina Leão, exercendo o cargo de governadora, formalizou em documento a solicitação de seu afastamento, deixando explícito que o GDF — acionista controlador do banco — não mais sustentaria sua permanência.

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Na prática, o pedido representou o rompimento definitivo da blindagem política que protegia a antiga cúpula do BRB desde o início das investigações. Com o gesto, o governo sinalizou ao mercado e aos órgãos de controle que adotaria uma postura ativa para reorganizar a governança do banco, ainda que isso significasse desgaste político interno.

Crise do Banco Master acelera queda

O endurecimento do GDF ocorreu em meio às investigações da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal desde novembro de 2025. As apurações miram suspeitas de fraudes na aquisição de carteiras de crédito do Banco Master, operações que podem ter provocado um rombo superior a R$ 10 bilhões no BRB.

A situação de Talarico tornou-se ainda mais delicada pelo fato de ele ter presidido a comissão de auditoria do banco justamente no período em que as operações investigadas foram realizadas, durante a gestão de Paulo Henrique Costa. Internamente, o governo passou a avaliar que manter figuras associadas àquele ciclo de decisões ampliava o risco institucional e reputacional do banco público.

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Cerco institucional e renúncia antecipada

Além do pedido formal de afastamento, o GDF intensificou o cerco ao convocar uma Assembleia Geral Extraordinária para o dia 19 de fevereiro, cujo objetivo explícito seria a destituição de Talarico do conselho. Paralelamente, Celina Leão indicou Edison Garcia, atual presidente da CEB, para integrar o colegiado e assumir posição de protagonismo na nova composição.

Diante da perspectiva de uma destituição pública e politicamente simbólica, Talarico optou por antecipar a saída, apresentando carta de renúncia sob o argumento de buscar “convergência interna” diante do ambiente institucional adverso. Nos bastidores, porém, a avaliação é de que a renúncia foi uma saída honrosa forçada após a intervenção direta do governo.

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