A disputa interna no bolsonarismo de Mato Grosso do Sul pode redesenhar o cenário eleitoral para o Senado em 2026 e deixar o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) fora da principal vaga pretendida pelo partido. Setores considerados “bolsonaristas raiz” articulam uma nova estratégia que exclui o ex-tucano e aposta em uma dobradinha formada pelo ex-deputado estadual Capitão Contar (PL) e pelo deputado federal Marcos Pollon.
Embora o plano inicial do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) previsse a eleição de Reinaldo Azambuja ao Senado ao lado de Capitão Contar, a aliança nunca foi totalmente assimilada pela base mais ideológica do bolsonarismo no Estado. Reinaldo, que passou cerca de três décadas no PSDB antes de se filiar ao PL e assumir o comando da legenda em Mato Grosso do Sul, ainda enfrenta resistências internas.
A insatisfação remonta a episódios anteriores. Capitão Contar, hoje apontado como nome prioritário do bolsonarismo raiz, já fez duras críticas a Azambuja após a deflagração da Operação Vostok, em 2018, que investigou denúncias de pagamento de R$ 67,7 milhões em propina pela JBS em troca de incentivos fiscais. Apesar de uma reaproximação política, a base bolsonarista nunca engoliu completamente a união entre os dois ex-adversários.
O clima de rebelião interna lembra o que ocorreu nas eleições municipais de 2024, quando Bolsonaro, atendendo a um pedido de Reinaldo, declarou apoio à candidatura do deputado federal Beto Pereira (PSDB) à Prefeitura de Campo Grande. Na contramão, a militância bolsonarista optou por apoiar a reeleição de Adriane Lopes (PP), que acabou recebendo o apoio formal do ex-presidente apenas no segundo turno.
Agora, o movimento pode se repetir em escala estadual. De acordo com informações publicadas pelo Correio do Estado, a estratégia de substituição de Reinaldo Azambuja teria o aval do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL), que atualmente reside nos Estados Unidos. Ele estaria incentivando Marcos Pollon a disputar o Senado, formando chapa com Capitão Contar, visto como representante fiel do bolsonarismo ideológico.
Caso o PL feche a chamada “janela partidária” para Pollon, a alternativa seria uma candidatura pelo Partido Novo. Nesse arranjo, o deputado estadual João Henrique Catan (PL) surge como possível nome do grupo para disputar o Governo do Estado.
A movimentação não ameaça apenas Reinaldo Azambuja. Outro aliado histórico de Jair Bolsonaro, o senador Nelsinho Trad (PSD), que busca a reeleição, também pode ser diretamente impactado pela nova configuração eleitoral da extrema direita no Estado.
Com a intensificação das articulações e a resistência interna no PL, cresce a possibilidade de Reinaldo Azambuja, apesar de comandar o partido em Mato Grosso do Sul, ficar fora da principal aposta bolsonarista para o Senado em 2026.




















