Sete vereadores recuam e colocam em risco derrubada de veto que mantém aumento da taxa do lixo em Campo Grande
Após votarem pela suspensão do aumento da taxa do lixo, sete vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande agora adotam postura de “indecisão”, movimento que pode favorecer o Executivo e manter um reajuste considerado abusivo por parlamentares e pela população.
No dia 12 de janeiro, 20 vereadores aprovaram o Projeto de Lei Complementar nº 1.016/26, que suspende os efeitos do Decreto nº 16.402/2025 e impede o aumento da Taxa de Coleta, Remoção e Destinação de Resíduos Sólidos Domiciliares em 2026. No entanto, a prefeita Adriane Lopes (PP) vetou integralmente o projeto, e a proposta retorna agora à Casa para análise do veto.
Levantamento do Correio do Estado junto aos 29 parlamentares revelou um cenário de recuo político: dos 20 que votaram contra o aumento, sete agora não assumem posição firme, abrindo espaço para a manutenção do reajuste.
Atualmente, apenas 14 vereadores se declararam contrários ao veto, um voto a menos do necessário para derrubá-lo. Outros 10 não se posicionaram, quatro seguem indefinidos, e o presidente da Câmara, vereador Papy (PSDB), só vota em caso de empate.
Indecisão após voto favorável gera críticas
Chamou atenção o comportamento de vereadores que participaram ativamente da aprovação do projeto, mas agora evitam assumir compromisso público contra o veto. Estão nesse grupo Carlos Augusto Borges (PSB), o Carlão; Clodoilson Pires (Podemos); Dr. Jamal Salem (MDB); Dr. Lívio Leite (União Brasil); Veterinário Francisco (União Brasil); Herculano Borges (Republicanos) e Otávio Trad (PSD).
Três deles — Carlão, Jamal e Clodoilson — se dizem “indecisos”, enquanto os demais simplesmente não se posicionaram. O discurso adotado por alguns, de que ainda não analisaram as razões do veto, gera questionamentos, já que o impacto do aumento nos carnês do IPTU já foi sentido diretamente pela população.
Para críticos da postura, a mudança de comportamento demonstra fragilidade política e possível alinhamento tardio ao Executivo, mesmo após a Câmara ter se manifestado publicamente contra a forma unilateral com que a prefeitura promoveu o reajuste.
Vereadores mantêm posição contra o veto
Entre os parlamentares que reafirmaram voto contra o veto, o vereador Júnior Coringa (MDB) foi direto:
“Votei a favor do projeto e vou manter meu voto, porque é a favor do povo.”
Marquinhos Trad (PDT) foi ainda mais crítico, ao afirmar que o veto se sustenta em premissas falsas, incluindo suposta perda de arrecadação e uso indevido da Lei de Responsabilidade Fiscal.
“O Executivo tenta corrigir falhas de planejamento com aumento tributário”, disse.
Já André Salineiro (PL) afirmou que vai trabalhar nos bastidores para convencer colegas, lembrando que são necessários 15 votos para derrubar o veto.
Flávio Cabo Almi (PSDB) foi enfático ao afirmar que votar a favor do veto significa virar as costas para a população.
Aumento imposto sem diálogo
O embate gira em torno do aumento expressivo da taxa do lixo, somado à redução do desconto para pagamento à vista do IPTU, de 20% para 10%, medidas adotadas exclusivamente pelo Executivo, sem participação da Câmara.
Apesar da prefeitura tentar justificar os aumentos com base em decretos antigos e correção inflacionária, os próprios vereadores destacam que o maior impacto nos carnês veio da reformulação do Mapa do Perfil Socioeconômico Imobiliário, previsto na Lei Complementar nº 318/2017, aplicada agora de forma mais pesada.
O presidente da Câmara, Papy, reconheceu que houve reação do Legislativo em defesa do contribuinte, inclusive com comissão especial e sessão extraordinária durante o recesso, mas admitiu que nem todas as reivindicações foram atendidas, especialmente a manutenção do desconto maior para pagamento à vista.
Câmara reage, mas resultado segue incerto
Apesar do discurso institucional de defesa do contribuinte, o cenário atual expõe uma Câmara dividida e pressionada, onde a falta de posicionamento de parte dos vereadores pode acabar garantindo a manutenção de um aumento rejeitado inicialmente pela maioria.
A votação do veto, marcada para o início do ano legislativo, será decisiva não apenas para o bolso do contribuinte, mas também para medir quem, de fato, sustenta o discurso de defesa da população diante do Executivo.
Enquanto isso, o contribuinte segue pagando a conta de decisões tomadas sem diálogo, transparência ou consenso.
Com informações do jornal Correio do Estado.























