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Caso do combustível: Justiça libera irmão do prefeito e silêncio da Câmara gera cobranças em Bandeirantes

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O juiz Francisco Vieira de Andrade Neto concedeu liberdade provisória a Selmo Abrantes, irmão do prefeito de Bandeirantes, Celso Abrantes, preso na última quarta-feira (10) durante uma operação que apura o desvio de combustível no município.

Na decisão, o magistrado destacou que a prisão preventiva é uma medida excepcional e entendeu que, apesar da gravidade dos fatos investigados, não estão presentes os requisitos necessários para manter o investigado preso.

“Analisando o caso concreto, constato que não estão preenchidos os requisitos para a decretação da prisão preventiva. (…) Entendo ser cabível a concessão da liberdade provisória, sendo suficientes as medidas cautelares diversas da prisão, como garantia da ordem pública”, decidiu o juiz.

Medidas cautelares

Com a decisão, Selmo Abrantes deverá manter o endereço atualizado nos autos, comparecer mensalmente à Justiça entre os dias 1º e 10 para informar e justificar suas atividades e comprovar residência. Ele também está proibido de se aproximar do outro investigado, Paulo Cezar Soares, devendo manter distância mínima de 300 metros e se abster de qualquer contato, inclusive por telefone, mensagens, redes sociais ou por intermédio de terceiros.

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Operação e prisão

Selmo foi preso em um imóvel localizado na Rua Afonso Pena, endereço onde também reside o prefeito Celso Abrantes, após a polícia receber informações de que parte de uma carga de diesel estaria sendo desviada antes de chegar ao destino final.

Após monitoramento de um caminhão, policiais chegaram ao local e efetuaram a prisão do motorista Paulo Cezar Soares, autuado por furto qualificado. Selmo Abrantes foi preso em flagrante por receptação.

Segundo a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato (Deleagro), mensagens encontradas no celular do motorista indicariam a participação do prefeito Celso Abrantes nas negociações envolvendo o combustível.

Conforme a investigação, o motorista teria informado que descarregaria 600 litros de diesel ao preço de R$ 4 por litro. Aos policiais, Selmo declarou ser responsável pela manutenção da oficina e afirmou que o descarregamento de combustível no local já havia ocorrido em outras duas ou três ocasiões.

Prefeito se manifesta

Após a prisão do irmão, o prefeito Celso Abrantes divulgou um vídeo nas redes sociais em que afirmou que Selmo estaria sendo vítima de uma situação motivada por questões políticas e que ele próprio seria o verdadeiro alvo das críticas.

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“O irmão está sendo atingido porque eu sou político”, declarou.

Celso também minimizou a ocorrência, afirmando que o recebimento de combustível na empresa seria uma prática corriqueira e sustentou que caberia à Justiça esclarecer como o produto saiu da transportadora sem a documentação correspondente.

Câmara ainda não se pronunciou

Enquanto as investigações prosseguem, moradores de Bandeirantes aguardam um posicionamento oficial da Câmara Municipal sobre o caso. Até o momento, o Legislativo municipal não divulgou qualquer manifestação pública acerca das prisões e das acusações que envolvem familiares do chefe do Executivo.

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