Enfim, está chegando o “Dia D” para o mandato e os projetos futuros de Adriane Lopes (PP) na vida pública. Primeira mulher eleita pelo voto para administrar Campo Grande, ela será julgada por compra de votos na próxima terça-feira, 20, em sessão histórica do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Se a maioria dos sete integrantes do Pleno acatar o pedido feito pelo Ministério Público Eleitoral, Adriane e sua vice, Camila nascimento (PP), perderão os mandatos e terão os direitos políticos suspensos por oito anos.
O que torna a situação das duas acusadas mais tensa e preocupante é o conjunto de elementos comprobatórios colhidos pelo MPE para formular o parecer assinado pelo procurador regional eleitoral Luiz Gustavo Mantovani no dia 26 de março. Ele se manifestou de forma contundente e favorável ao recurso do PDT e da Democracia Cristã (DC), que contestaram a reeleição de Adriane, obtida no segundo turno das eleições de 2024. Mantovani disse ter encontrado evidências que a prefeita “esteve envolvida na chancela das captações ilícitas de sufrágio”.
JUIZ RECONHECEU – Antes do MPE, a denúncia foi levada ao TRE em primeira instância e indeferida pelo juiz Ariovaldo Corrêa. Mesmo ao considerar improcedente o pedido de cassação das candidaturas, ele reconheceu as irregularidades e fez a seguinte observação: “Constata-se que restou demonstrada a compra de votos (ou a promessa de) em favor da candidatura das requeridas”. Contudo, um novo recurso reabilitou a AIJE (Ação de Investigação Judicial Eleitoral”, desta vez nas mãos do Ministério Público.
Além de comprovantes de transferência em dinheiro via PIX para os eleitores assediados por aliados de Adriane, o MPE também fez farta colheita de conversas via whatss app e de vídeos gravados, nos quais é possível de e ouvir pessoas em atividade ilegal, supostamente para conseguir votos. Em um dos vídeos é podem ser ouvidas queixas sobre retenção de documentos e títulos de eleitores por dois cabos eleitorais da prefeita. Um foi identificado por um apelido, “Kalica”.
Há ainda várias menções associadas à atividade eleitoral, entre as quais as conversas de pessoas frisando estas expressões: “Eu não voto! Se eu não receber, eu não vou votar”; “Mas eu estou falando que você vai receber. É amanhã”; “Não falou que ia pagar primeiro? Amanhã, quando ela ganhar, ela nem vai olhar na nossa cara. Se liga! Conheço. Nem a pau, Juvenal!”. No segundo turno, Adriane teve 222.699 votos e derrotou Rose Modesto (União Brasil), que alcançou 210.112.
























