Preso preventivamente desde abril, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, intensificou a pressão sobre a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que avancem nas negociações de sua proposta de delação premiada.
Por meio de sua defesa, Costa enviou novos ofícios cobrando uma resposta formal sobre o interesse dos órgãos em celebrar um acordo de colaboração. Segundo o advogado Davi Tangerino, a legislação prevê que a proposta seja analisada e que eventual recusa seja devidamente fundamentada.
Nos bastidores, a expectativa é grande em torno do conteúdo da colaboração. Investigadores já teriam tido acesso a um esboço da proposta, composto por sete anexos. As informações apresentadas apontariam para possíveis conexões entre as operações investigadas do BRB com o Banco Master e agentes políticos do Distrito Federal.
De acordo com fontes ligadas às apurações, a delação poderia alcançar integrantes da cúpula política local, incluindo lideranças partidárias e autoridades que tiveram influência sobre decisões envolvendo o banco estatal.
Costa é investigado por seu papel na compra de carteiras de ativos do Banco Master, operação estimada em R$ 12,2 bilhões. As investigações também apuram o suposto recebimento de seis imóveis de luxo avaliados em cerca de R$ 146 milhões como contrapartida pelas negociações.
A urgência em firmar o acordo também estaria relacionada à disputa por protagonismo nas investigações. Com a rejeição da proposta de colaboração apresentada por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, a defesa de Costa aposta que possui informações inéditas capazes de impulsionar as apurações.
Enquanto aguarda uma resposta da PF e da PGR, o ex-presidente do BRB segue preso sob custódia militar, em um caso que pode gerar novos desdobramentos para a política e o sistema financeiro do Distrito Federal.






















