DF registra alta nas mortes violentas e explosão de feminicídios expõe desafio para a segurança pública

Foto: Banco de Imagens/CNJ

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Distrito Federal apresentou um preocupante aumento nos indicadores de violência em 2025. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23), mostram crescimento tanto das Mortes Violentas Intencionais (MVI) quanto dos crimes letais contra mulheres, com destaque para o forte avanço dos casos de feminicídio e das tentativas de feminicídio. 

Embora o DF continue entre as unidades da Federação com as menores taxas proporcionais de mortes violentas do país, a tendência de alta nos indicadores interrompe a trajetória de estabilidade observada nos últimos anos e levanta questionamentos sobre a efetividade das políticas de segurança pública. 

Entre 2024 e 2025, o número de Mortes Violentas Intencionais passou de 270 para 287 registros, um aumento de 5,8%. O índice coloca o Distrito Federal na quinta posição nacional entre os estados que mais registraram crescimento nesse tipo de crime, atrás apenas de Rio Grande do Norte (19,6%), Rondônia (7,5%), Acre (6,3%) e Roraima (5,8%). 

Apesar disso, a capital federal ainda possui a terceira menor taxa de MVI por 100 mil habitantes do Brasil, evidenciando que o problema está mais relacionado ao crescimento recente da violência do que a um cenário consolidado de alta criminalidade. 

Feminicídios avançam e violência contra a mulher dispara 

O dado mais alarmante do levantamento está relacionado à violência contra a mulher. O número de feminicídios consumados passou de 22 casos em 2024 para 29 em 2025, um aumento de aproximadamente 31,8%. As tentativas de feminicídio também cresceram de forma significativa, saltando de 95 para 135 ocorrências, alta de cerca de 42%. 

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Os homicídios de mulheres aumentaram de 33 para 43 casos, enquanto as tentativas de homicídio passaram de 161 para 212 registros, evidenciando uma escalada da violência letal de gênero. 

Nos indicadores nacionais utilizados pelo Anuário, o Distrito Federal aparece como a segunda unidade da Federação com maior crescimento nos homicídios de mulheres e feminicídios, registrando uma variação de 67,4%. Também ocupa a segunda colocação no aumento das tentativas de homicídio e tentativas de feminicídio contra mulheres, com alta de 63,7%. 

Os números reforçam a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à prevenção da violência doméstica, ao fortalecimento da rede de proteção às vítimas e à responsabilização dos agressores. 

Homicídios e latrocínios puxaram alta das mortes violentas 

O crescimento das Mortes Violentas Intencionais foi impulsionado principalmente pelos homicídios dolosos, que passaram de 233 para 253 casos, e pelos latrocínios (roubos seguidos de morte), que aumentaram de 8 para 13 registros. 

Em contrapartida, houve redução nas lesões corporais seguidas de morte, que caíram de 14 para 7 casos, e nas mortes decorrentes de intervenção policial, que passaram de 15 para 14. O número de policiais vítimas de crimes violentos também recuou, passando de um caso em 2024 para nenhum registro em 2025. 

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Apesar dessas reduções, elas não foram suficientes para compensar o aumento dos homicídios e dos latrocínios, resultando na elevação do total de mortes violentas no Distrito Federal. 

Tendência preocupa e cobra respostas 

Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que, embora o Distrito Federal continue entre as unidades da Federação com menores taxas proporcionais de violência letal, a trajetória de crescimento observada em 2025 acende um sinal de alerta. 

O aumento das mortes violentas, aliado à explosão dos indicadores de violência contra a mulher, evidencia desafios importantes para as políticas de segurança pública e de proteção às vítimas. O cenário reforça a necessidade de ações mais efetivas de prevenção, investigação e repressão aos crimes, além do fortalecimento da rede de atendimento às mulheres em situação de violência. 

Os números também indicam que conter a escalada dos feminicídios e reduzir os homicídios voltará a ser uma das principais provas para a gestão da segurança pública no Distrito Federal nos próximos anos.

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