Com a candidatura ao Senado praticamente consolidada dentro do PL, o ex-governador Reinaldo Azambuja parece viver um clima de tranquilidade enquanto a disputa pela segunda vaga da chapa se transforma em um campo de tensão e incerteza entre os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro em Mato Grosso do Sul.
A decisão de adiar por pelo menos mais 15 dias o anúncio do segundo nome que disputará o Senado pelo partido deixou em evidência a falta de consenso entre os grupos que defendem as candidaturas do ex-deputado Capitão Contar e do deputado federal Marcos Pollon.
Oficialmente, o PL atribui o adiamento ao atraso na conclusão de pesquisas encomendadas para auxiliar na escolha. Nos bastidores, porém, a justificativa não convenceu boa parte da militância e das lideranças partidárias, que enxergam na prorrogação um sinal claro das dificuldades para acomodar interesses divergentes dentro da legenda.
Enquanto Azambuja observa o cenário sem sobressaltos, já que sua presença na chapa é considerada certa, os apoiadores de Contar e Pollon vivem dias de expectativa. O grupo de Capitão Contar demonstra desconforto com a demora, apostando no desempenho favorável das pesquisas para garantir a indicação. Já os aliados de Pollon acreditam que o peso político da família Bolsonaro poderá prevalecer na decisão final.
A aposta dos apoiadores do deputado federal ganhou força após sucessivas manifestações públicas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em favor de Pollon. Recentemente, ela voltou a reafirmar apoio ao parlamentar nas redes sociais, reforçando a percepção de que ele continua sendo o preferido do núcleo mais próximo do ex-presidente.
A indefinição também ocorre em meio às dificuldades de interlocução direta com Jair Bolsonaro, o que, segundo relatos de bastidores, ampliou a influência de familiares nas decisões estratégicas do partido. Em Mato Grosso do Sul, Michelle Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro mantêm alinhamento em torno do nome de Pollon, tornando a disputa ainda mais sensível para a direção estadual da legenda.
Com o anúncio adiado e sem sinais de consenso, cresce a ansiedade entre os bolsonaristas sul-mato-grossenses. Enquanto Azambuja transmite a imagem de quem já garantiu seu espaço na corrida eleitoral, Contar e Pollon seguem travando uma disputa que mistura pesquisas, articulações partidárias e a influência direta da família Bolsonaro.




















