Banco de Brasília

BRB vende R$ 5 bilhões em ativos para reforçar liquidez e enfrentar crise de confiança após colapso do Master

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Alienação de carteiras de baixo risco busca conter saques, atender exigências do Banco Central e viabilizar plano de capitalização

O Banco de Brasília (BRB) realizou a venda de aproximadamente R$ 5 bilhões em ativos de alta qualidade para recompor sua liquidez e fazer frente a uma onda de saques de correntistas e investidores. A medida ocorre em meio a uma crise de confiança desencadeada pela liquidação extrajudicial do Banco Master e pelos desdobramentos da Operação Compliance Zero, que resultou no afastamento do então presidente da instituição, Paulo Henrique Costa.

Estratégia para conter a redução de caixa

As carteiras alienadas pelo banco entre o final de novembro de 2025 e o início de fevereiro de 2026 consistem em ativos de baixo risco, como crédito consignado, antecipação de saque-FGTS e crédito de atacado. Por serem considerados ativos de alta liquidez e boa aceitação no mercado, a venda foi realizada de forma relativamente rápida para honrar compromissos e cumprir exigências do Banco Central.

Além dos R$ 5 bilhões já negociados, o BRB está em tratativas avançadas para vender mais R$ 1 bilhão em carteiras de crédito de estados e municípios para os bancos Itaú e Bradesco. A operação, que já teria sinalização favorável do Tesouro Nacional, poderia render cerca de R$ 730 milhões ao caixa da instituição.

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O impacto da relação com o Banco Master

A crise foi intensificada por suspeitas de irregularidades em operações com o Banco Master, envolvendo cerca de R$ 12 bilhões em créditos. Embora o atual presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, avalie que o momento mais crítico já passou, a instituição ainda aguarda uma auditoria externa da Kroll e do escritório Machado Meyer para precificar ativos remanescentes do Master, avaliados pelo BRB em R$ 21,9 bilhões.

Depoimentos de diretores do Banco Central à Polícia Federal indicam que o rombo pode ser maior do que o previsto inicialmente. O diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, afirmou que o déficit no balanço do BRB pode chegar a R$ 5 bilhões, superando o provisionamento inicial de R$ 2,6 bilhões determinado pela autoridade monetária.

Plano de capitalização e novo foco regional

Para sanar o déficit e elevar seu patrimônio líquido, o BRB deve apresentar ao Banco Central nesta sexta-feira (6) um plano de capitalização. Entre as alternativas em análise, que dependem de aprovação da Câmara Legislativa do DF, estão:

  • A criação de um fundo imobiliário com terrenos e imóveis do Governo do Distrito Federal (GDF);
  • Aportes diretos do Tesouro do Distrito Federal;
  • Contratação de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
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Estrategicamente, a nova gestão decidiu interromper os planos de expansão nacional da administração anterior e reposicionar o BRB como um banco de atuação regional. O objetivo é reduzir o porte da instituição e, consequentemente, a necessidade de novos aportes de capital por parte do GDF, que atualmente enfrenta restrições orçamentárias. O balanço oficial referente ao exercício de 2025, já contemplando os efeitos das operações com o Master, deve ser divulgado até o dia 31 de março.

 

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