Requerimento reúne 201 assinaturas e apura fraudes financeiras que podem ter causado prejuízo de até R$ 5 bilhões ao banco público do DF
A Câmara dos Deputados recebeu, nesta segunda-feira (2), o pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas fraudes financeiras bilionárias envolvendo o Banco Master e negociações com o Banco de Brasília (BRB). O requerimento foi protocolado pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e conta com o apoio de 201 parlamentares, número superior ao mínimo exigido pelo regimento da Casa.
A CPI tem como objetivo apurar irregularidades em operações conduzidas pelo Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, com foco especial nas transações realizadas com o BRB, instituição financeira estatal vinculada ao Governo do Distrito Federal (GDF). De acordo com as denúncias, o BRB teria desembolsado R$ 12,2 bilhões na compra de carteiras de crédito que não pertenciam ao Master ou que não possuíam lastro e garantias suficientes.
Segundo estimativas apresentadas no requerimento, o prejuízo potencial ao BRB pode chegar a R$ 5 bilhões. Rollemberg classificou o caso como “o maior escândalo de corrupção da história do país”, destacando o impacto direto sobre o banco público e, consequentemente, sobre a população do Distrito Federal.
As investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Banco Central apontam que o Banco Master teria emitido cerca de R$ 50 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração acima da média do mercado, sem comprovação de liquidez para honrar os compromissos. Para sustentar artificialmente sua solvência, a instituição teria recorrido a operações simuladas, incluindo a aquisição de ativos inexistentes, como créditos da empresa Tirreno sem efetivo desembolso financeiro, posteriormente revendidos ao BRB.
Também há suspeitas de irregularidades na venda de crédito consignado, envolvendo milhares de aposentados e pensionistas. Diante da exposição a ativos de alto risco e da falta de liquidez, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central, em novembro, no contexto das apurações que se intensificaram a partir de 2024.
No campo político, o pedido de CPI evidenciou divisões na bancada do Distrito Federal. Dos oito deputados federais do DF, quatro subscreveram o requerimento: Rodrigo Rollemberg (PSB) e Erika Kokay (PT), alinhados ao governo federal, e Bia Kicis (PL) e Alberto Fraga (PL), representantes da oposição.
O governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), reagiu com críticas ao pedido, classificando a iniciativa como um ataque político e chamando Rollemberg, seu adversário, de “o pior governador que o DF já viu”.
Para que a CPI seja efetivamente instalada, o requerimento precisa ser lido em plenário pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Após a leitura, o pedido entra na fila de criação de comissões, que já soma 15 solicitações. O regimento interno da Câmara permite o funcionamento simultâneo de apenas cinco CPIs, o que pode retardar o início dos trabalhos.




















