Operação Carbono Oculto

Empresários negociam delação e afirmam ter provas de propinas a parlamentares, diz jornal

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Investigados na Operação Carbono Oculto, alvos dizem possuir documentos e mensagens que indicariam pagamento de mais de R$ 500 milhões a integrantes do Congresso e autoridades do Executivo

Os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, apelidado de Primo, negociam um acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e afirmam ter provas de um amplo esquema de corrupção envolvendo parlamentares e autoridades públicas. Segundo eles, os documentos reunidos seriam suficientes para comprometer “metade do Congresso Nacional”.

As informações foram divulgadas neste sábado (31) pelo jornal O Estado de S. Paulo. De acordo com a reportagem assinada pelos jornalistas Fausto Macedo, Felipe de Paula e Aguirre Talento, os empresários sustentam que mais de R$ 500 milhões teriam sido pagos em propinas em troca de favorecimentos políticos e “alívio regulatório”, especialmente no setor de combustíveis.

Foragidos da Justiça, Beto Louco e Primo são apontados como os principais alvos da Operação Carbono Oculto, considerada a maior ofensiva já deflagrada pelo Ministério Público e pela Polícia Federal contra a infiltração do crime organizado na economia formal. A investigação mira o chamado “andar de cima” do crime, com atuação em empresas, fundos de investimento, fintechs e instituições financeiras sediadas principalmente na região da Avenida Faria Lima, em São Paulo.

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Mensagens e encontros para entrega de propina

Segundo pessoas próximas às negociações, os empresários afirmam possuir mensagens de WhatsApp que indicariam encontros presenciais, realizados de forma direta ou por meio de intermediários, para a entrega de valores ilícitos a parlamentares e autoridades. Os pagamentos, conforme os relatos, estariam ligados a interesses econômicos no setor de combustíveis, explorado por meio de uma extensa rede de postos supostamente vinculada ao esquema criminoso.

Apesar das acusações, Beto Louco e Primo negam qualquer ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ainda assim, eles são apontados pelas investigações como figuras centrais de um complexo esquema de lavagem de dinheiro atribuído à facção criminosa.

Ministério Público afirma que investigação alcança agentes públicos

Em nota, o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, afirmou que as investigações da Operação Carbono Oculto não se restringem ao setor empresarial.

“Chegaremos não só a empresários e empresas, mas a agentes públicos e eventualmente até políticos. Nosso objetivo é impessoal”, declarou.

Segundo o procurador-geral, qualquer pessoa envolvida em qualquer etapa da cadeia criminosa deverá prestar esclarecimentos e estará sujeita às sanções penais, administrativas e cíveis cabíveis.

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As tratativas para um eventual acordo de delação premiada seguem sob análise dos promotores responsáveis pela operação e não passam diretamente pela Procuradoria-Geral de Justiça, segundo informou o MPSP.

Esquema bilionário e fundos de investimento

Além do setor de combustíveis, a Operação Carbono Oculto alcançou fintechs e fundos de investimento sediados na capital paulista. Investigadores estimam que braços do PCC tenham movimentado cerca de R$ 52 bilhões no período analisado, com recursos pulverizados em aproximadamente 40 fundos de investimento.

Entre os casos apurados, a BK Bank teria registrado cerca de R$ 17,7 bilhões em movimentações financeiras suspeitas, sendo que aproximadamente 80% desse volume estaria relacionado ao PCC. À época da deflagração da operação, a instituição afirmou ter sido surpreendida pela investigação e declarou atuar com transparência e rigorosos padrões de compliance.

Também é citada nas apurações a Reag Investimentos, administradora do fundo Location no primeiro semestre de 2020. O único cotista do fundo era Renato Steinle de Camargo, apontado pelos investigadores como “testa de ferro” de Beto Louco e Primo.

Procurado, o advogado que representa os empresários informou que não comentaria as tratativas com o Ministério Público de São Paulo.

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