Várzea Grande dos privilégios

Vídeo com marido de Flávia Moretti contando maços de dinheiro é rejeitado pelo TRE

publicidade

Tribunal considerou que imagens e novos depoimentos da Polícia Federal foram apresentados fora do prazo, mas determinou envio do material ao Ministério Público Eleitoral para investigação autônoma.

O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) rejeitou, por unanimidade, o pedido da oposição para incluir novas provas no processo que buscava cassar o mandato da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL). Entre os materiais apresentados estava um vídeo em que o marido da prefeita, o empresário Carlos Alberto de Araújo, aparece contando maços de dinheiro em espécie, além de depoimentos colhidos pela Polícia Federal (PF) sobre um suposto esquema de caixa dois durante a campanha eleitoral de 2024.

O recurso foi apresentado por União Brasil e MDB, que defendiam a reabertura da fase de instrução processual para anexar as novas provas. No entanto, o relator do caso, juiz Raphael de Freitas Arantes, entendeu que o pedido não poderia ser acolhido porque a produção de provas já havia sido encerrada.

No acórdão, o magistrado destacou que a juntada de documentos produzidos unilateralmente após o encerramento da instrução processual não justifica a reabertura do processo. Segundo ele, admitir a inclusão das novas mídias nessa fase violaria o direito de defesa da prefeita e representaria supressão indevida das etapas processuais.

Leia Também:  Prefeitura de Caarapó rescinde contrato de R$ 259 mil após MP apontar falta de fundamento legal

Oposição alegava existência de caixa dois

Os partidos autores da ação sustentaram que os depoimentos prestados recentemente à Polícia Federal apontariam um suposto esquema de pagamentos em dinheiro vivo a cabos eleitorais e fiscais que atuaram no comitê central da campanha de Flávia Moretti.

A oposição também defendeu a aplicação da chamada “Teoria do Mosaico”, argumento jurídico segundo o qual diversos indícios, quando analisados em conjunto, podem demonstrar a existência de uma irregularidade eleitoral.

O TRE-MT, contudo, rejeitou essa tese no caso concreto. Os magistrados entenderam que, quando cada elemento apresentado é considerado insuficiente para comprovar a acusação de forma isolada, a simples reunião desses indícios não é capaz de formar prova robusta para justificar uma condenação ou a cassação de um mandato obtido nas urnas.

Com esse entendimento, o tribunal manteve a validade da eleição da prefeita, destacando a necessidade de preservar a soberania da vontade popular diante da ausência de provas consideradas suficientes.

Defesa nega irregularidades

Durante o processo, a defesa de Flávia Moretti e de Carlos Alberto de Araújo afirmou que as acusações fazem parte de uma estratégia política da oposição derrotada nas eleições municipais.

Leia Também:  Prefeitura de Iguatemi vai pagar R$ 450 mil por show de Eduardo Costa

Em manifestações anteriores, o empresário declarou que o vídeo utilizado pelos adversários possui baixa qualidade, seria uma gravação antiga e não teria qualquer relação com o financiamento da campanha eleitoral da atual prefeita.

Material será enviado ao Ministério Público Eleitoral

Embora tenha rejeitado o uso do vídeo e dos novos depoimentos como prova na ação que discutia a cassação do mandato, o TRE-MT determinou o encaminhamento de todo o material ao Ministério Público Eleitoral (MPE).

Segundo o tribunal, a inadmissibilidade das provas neste processo específico não impede que o Ministério Público realize uma investigação própria para apurar eventual prática de crimes eleitorais ou outras irregularidades relacionadas ao caso.

Com isso, a prefeita permanece no cargo, mas o conteúdo do vídeo e os depoimentos colhidos pela Polícia Federal ainda poderão ser analisados em procedimento investigatório autônomo conduzido pelo MPE.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

Previous slide
Next slide

publicidade

Previous slide
Next slide