O deputado estadual Wilson Santos (PSD) afirmou que as obras do BRT (Bus Rapid Transit) em Cuiabá e Várzea Grande devem levar pelo menos mais dois ou três anos para serem concluídas, afastando a possibilidade de entrega ainda em 2026. Durante entrevista nesta segunda-feira (13), o parlamentar também reconheceu uma “falha coletiva” dos órgãos responsáveis pela fiscalização do empreendimento, incluindo a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
As declarações foram feitas no dia em que o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, foi convocado pela Assembleia para prestar esclarecimentos sobre os atrasos, os custos e o andamento das obras do sistema de transporte coletivo.
Wilson comparou a situação do BRT ao histórico do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), projeto iniciado para a Copa do Mundo de 2014 e que nunca entrou em operação.
“É uma novela longa. Começou em 2012, já está no seu 14º ano. Os baianos compraram os nossos trens e, em dois anos, colocaram o VLT para rodar em Salvador. Aqui, nós nos arrastamos há quase 15 anos, sem uma data precisa e sem um prazo devidamente cumprido”, afirmou.
Prazo de novembro é tratado como inviável
Apesar da previsão do governo estadual de concluir parte das intervenções até novembro deste ano, Wilson demonstrou ceticismo e afirmou que ainda existem diversas etapas sequer iniciadas.
Segundo o deputado, não há projeto executivo para a segunda etapa das obras, na Avenida Fernando Corrêa, além da ausência de definições sobre a aquisição da frota, implantação do sistema elétrico, construção das estações e dos terminais.
“Claro que não. Nenhum prazo até hoje, em relação ao VLT ou ao BRT, foi cumprido, e esse também não será. Nem existe o projeto executivo da segunda etapa, na Avenida Fernando Corrêa. O governo sequer comprou os ônibus, ainda não implantou o sistema elétrico, não iniciou as estações nem os terminais. Esses prazos são ficções. Vamos para mais dois ou três anos, pelo menos”, declarou.
Caso a previsão do parlamentar se confirme, a conclusão do sistema poderá ocorrer apenas entre 2028 e 2029.
“Todos nós falhamos”
Wilson também fez um “mea-culpa” ao afirmar que a responsabilidade pelos atrasos não é exclusiva do governo estadual.
Segundo ele, os órgãos de controle e fiscalização também falharam ao longo da execução do projeto.
“Todos nós falhamos. A Assembleia Legislativa, no seu papel fiscalizador, o Tribunal de Contas, o Ministério Público, o Poder Judiciário e, principalmente, o Executivo. Todos nós devemos vestir essa carapuça.”
Críticas à condução da obra
O parlamentar classificou a condução do BRT como um “show de negligência” e um “show de incompetência”, destacando que, passados mais de dez anos desde o início das discussões sobre um novo modal de transporte para a região metropolitana, a população ainda não possui uma data concreta para a conclusão dos 22,2 quilômetros do sistema.
Wilson também criticou a demora do governo para definir o substituto do VLT e defendeu maior rigor na contratação de empresas responsáveis por obras de grande porte.
“O então candidato Mauro Mendes prometeu que, se eleito, definiria o modal. Levou três anos para decidir pelo BRT. O Estado precisa ser mais rigoroso com prazos e qualidade dos projetos. Vimos empresas sem experiência assumirem essas obras com preços baixos, mas sem capacidade técnica para elaborar um projeto básico de qualidade”, concluiu.
A audiência na Assembleia Legislativa ocorre em meio ao aumento da cobrança por transparência sobre o cronograma e os custos do BRT, empreendimento considerado uma das principais obras de mobilidade urbana de Mato Grosso e que acumula sucessivos atrasos desde a substituição definitiva do projeto do VLT.























