O Hospital Regional de Samambaia (HRSam) está sendo investigado após registrar duas mortes maternas em um intervalo de apenas quatro dias, casos que mobilizaram a Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) e a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
As vítimas são Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, e Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos. As duas morreram após complicações durante o atendimento obstétrico na unidade.
O diretor do hospital, Rafael Amaral Guimuzzi, afirmou que as investigações ainda estão em fase inicial e que seria prematuro apontar as causas dos óbitos. No entanto, ressaltou que a possibilidade de falha profissional não está descartada, caso isso seja confirmado pelas apurações técnicas.
Primeiro caso
Maria Graciana Andrade Alves deu entrada no hospital em 10 de julho, com 41 semanas de gestação, quadro conhecido como pós-datismo.
Segundo a direção da unidade, durante o acompanhamento houve sinais de sofrimento fetal, levando a equipe médica a indicar uma cesariana de urgência. Após o procedimento, a paciente apresentou um grave distúrbio de coagulação, não resistiu às complicações e morreu.
A recém-nascida sobreviveu e permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal do hospital, recebendo acompanhamento especializado.
Segundo caso
Três dias depois, em 13 de julho, a paciente Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, também morreu após dar à luz no HRSam.
Ela realizou um parto normal, mas apresentou uma grave atonia uterina, complicação em que o útero perde a capacidade de se contrair adequadamente após o parto, provocando intensa hemorragia.
Na tentativa de controlar o sangramento, a equipe médica realizou uma histerectomia, procedimento cirúrgico para retirada do útero. Apesar das medidas adotadas, a paciente não resistiu.
Familiares afirmam que Maria Aparecida teria solicitado a realização de uma cesariana durante o trabalho de parto, mas alegam que o pedido foi ignorado pela equipe médica. Além do bebê recém-nascido, ela deixa um filho de nove anos.
Secretaria classifica casos como atípicos
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que os dois óbitos são considerados casos atípicos.
De acordo com a pasta, o Hospital Regional de Samambaia realizou cerca de 3.400 partos ao longo de 2025, sem registrar mortes maternas.
Como parte da apuração, foi instaurado o chamado Protocolo de Londres, metodologia internacional utilizada para analisar incidentes graves na assistência à saúde. O objetivo é identificar possíveis falhas nos processos assistenciais, organizacionais e de gestão, evitando conclusões precipitadas antes da conclusão da investigação.
O superintendente da Região de Saúde Sudoeste, José Henrique Barbosa, informou ainda que Maria Aparecida realizou cinco consultas de pré-natal durante a gestação. Segundo a SES-DF, o acompanhamento considerado ideal prevê um número maior de consultas ao longo da gravidez, conforme a evolução gestacional e as necessidades clínicas da paciente.
Polícia Civil também investiga
Além da investigação administrativa conduzida pela Secretaria de Saúde, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) instaurou inquérito para apurar as circunstâncias das duas mortes e verificar se houve responsabilidade criminal por parte dos profissionais envolvidos.
A direção do Hospital Regional de Samambaia informou que está prestando assistência às famílias das vítimas e garantindo o atendimento aos recém-nascidos.
Enquanto os laudos técnicos não forem concluídos, a administração da unidade afirma que não é possível confirmar a existência de erro médico ou de qualquer falha na assistência, ressaltando que todas as hipóteses permanecem sob análise pelas equipes responsáveis pelas investigações.





















