Maior resgate da história começou neste sábado 17/01.
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) anunciou o início do pagamento das garantias aos investidores e depositantes do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025. O processo, que representa o maior resgate já realizado pela entidade em sua história, começou oficialmente neste sábado (17), com a liberação da solicitação no aplicativo e no site do FGC.
De acordo com o diretor-presidente do FGC, Daniel Lima, o fundo pagará um total de R$ 40,6 bilhões a cerca de 800 mil credores — número revisado para baixo em relação à estimativa inicial de 1,6 milhão de investidores e R$ 41 bilhões. O montante supera o recorde anterior, de R$ 20 bilhões pagos após a intervenção no Bamerindus, em 1997.
A liquidação do Banco Master (incluindo Banco Master de Investimento, Letsbank e Master Corretora) ocorreu em 18 de novembro de 2025, após o Banco Central identificar graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional, crise de liquidez e suspeitas de fraudes contábeis que inflaram balanços e geraram rombo estimado em dezenas de bilhões. O banco atraía recursos com taxas elevadíssimas (chegando a 140% do CDI em alguns produtos), mas não sustentava as operações.
O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição financeira, cobrindo depósitos à vista, poupança, CDB, RDB, LCI, LCA, LCD, LH e letras de câmbio. O valor ressarcido inclui o principal investido mais os rendimentos acumulados até a data da liquidação (18/11/2025). Após essa data, os recursos ficaram congelados, sem correção pela Selic ou inflação — o que gerou perdas reais para quem esperou quase dois meses.
Como solicitar o pagamento
O ressarcimento não é automático: os credores precisam solicitar ativamente.
- Pessoas físicas: Acesse o aplicativo do FGC (disponível na Google Play e App Store). Faça o cadastro básico (se ainda não tiver), visualize o valor elegível, cadastre uma chave Pix ou conta bancária de mesma titularidade, valide os dados (incluindo biometria) e assine digitalmente o termo de sub-rogação. O pagamento cai em até dois dias úteis após a conclusão.
- Pessoas jurídicas: Realize o procedimento pelo site oficial do FGC.
- Casos especiais (menores de idade, falecidos): Envie e-mail para [email protected] com documentação comprobatória.
O FGC alertou para tentativas de golpe: a entidade não autoriza intermediários, não cobra taxas nem solicita depósitos prévios. Contatos via WhatsApp ou SMS são falsos. Dúvidas devem ser resolvidas pelos canais oficiais: 0800 400 5862 ou e-mail [email protected].
Por que demorou tanto?
O prazo entre a liquidação e o início dos pagamentos foi de cerca de 60 dias — superior à média recente (10 a 40 dias em casos menores) devido ao volume recorde e à complexidade da auditoria da lista de credores, feita pelo liquidante (EFB Regimes Especiais de Empresas) com apoio do FGC. Equipes trabalharam intensamente, inclusive em fins de semana, para finalizar os arquivos.
O aplicativo enfrentou instabilidades nos primeiros momentos após o anúncio, mas o FGC informou que as equipes técnicas monitoram e normalizam a plataforma continuamente.
Impacto no sistema financeiro
O caso expôs fragilidades em instituições que oferecem rentabilidades muito acima da média de mercado. O FGC, mantido por contribuições das instituições financeiras associadas, tem liquidez de R$ 125 bilhões (dados de novembro/2025) e não deve sofrer pressão de solvência com essa operação.
Investidores que tiveram aplicações acima de R$ 250 mil terão o excedente registrado como saldo remanescente na massa falida do banco, com recuperação dependente de processo judicial — que pode levar anos.
O pagamento do FGC reforça a confiança no sistema, mas serve de alerta: diversifique instituições e analise indicadores de saúde financeira (como Índice de Basileia) antes de investir em produtos de renda fixa.















