Operação Fantoche

Operação Fantoche: Justiça mantém bloqueio de bens de Sérgio Longen e expõe sombras sobre gestão da Fiems

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Mesmo após sete anos da deflagração da Operação Fantoche, a Justiça Federal mantém bloqueados bens do empresário Sérgio Longen, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems), investigado por suspeitas de participação em um esquema de desvios milionários envolvendo o Serviço Social da Indústria (Sesi).

A decisão judicial evidencia que, apesar do tempo transcorrido, as suspeitas que recaem sobre a gestão da entidade industrial ainda não foram dissipadas — e continuam lançando dúvidas sobre a condução de recursos que deveriam servir ao desenvolvimento industrial e social.

Bloqueio milionário segue ativo

Quando a operação foi deflagrada pela Polícia Federal do Brasil em 2019, a Justiça determinou o bloqueio de bens de 24 pessoas físicas e jurídicas até o limite de R$ 400 milhões, valor estimado do prejuízo causado por supostos desvios em contratos firmados por unidades do Sesi em vários estados.

Entre os atingidos pela medida estava Sérgio Longen, que já presidia a Fiems à época. A investigação apura crimes como fraude em licitação, associação criminosa, lavagem de dinheiro e irregularidades contra a administração pública.

Um dos bens bloqueados foi um imóvel localizado em Varginha (MG). A esposa de Longen recorreu alegando que o bem foi recebido por herança de sua mãe e, portanto, não poderia integrar o bloqueio judicial, mesmo com o regime de comunhão universal de bens.

Em outubro do ano passado, o juiz da 4ª Vara Federal do Recife, Jaime Travassos Sarinho, autorizou o desbloqueio parcial do imóvel  apenas na fração pertencente à esposa. Os demais bens ligados ao presidente da Fiems permanecem indisponíveis.

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Até o momento, a defesa de Longen não se manifestou publicamente sobre a manutenção do bloqueio, apesar de questionamentos da imprensa.

Contratos suspeitos e projetos inflados

A Operação Fantoche investigou contratos firmados pelo Sesi entre 2010 e 2014 em estados como Alagoas, Paraíba, Minas Gerais, Pernambuco e Mato Grosso do Sul. No estado sul-mato-grossense, a atenção se voltou especialmente para contratos ligados à Fiems.

Projetos culturais e educacionais como Sesi Bonecos do Mundo, Cine Sesi e Na Ponta da Língua  custavam valores muito superiores aos gastos de estados com parques industriais muito maiores, como São Paulo. Essa discrepância chamou a atenção de órgãos de controle e levou o Tribunal de Contas da União (TCU) a encaminhar informações à Polícia Federal.

Segundo as investigações, entidades do sistema industrial repassavam recursos a ONGs supostamente de fachada por meio de inexigibilidade de licitação, sob a justificativa de que apenas essas organizações poderiam executar determinados projetos.

Na prática, porém, essas ONGs terceirizariam os serviços para produtoras privadas, inflando os valores pagos — um mecanismo que, segundo investigadores, seria utilizado para viabilizar o desvio de recursos.

Novas suspeitas cercam contratos da Fiems

Como se não bastasse o histórico de investigações federais, a Fiems voltou a entrar no radar das autoridades. O Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu um inquérito para apurar contratos que somam R$ 1,5 milhão firmados pela entidade entre 2022 e 2023.

Os contratos envolvem duas empresas de Campo Grande que possuem os mesmos sócios e atuam no mesmo ramo comercial.

A empresa Souza Alves & Cia Ltda. (Multifer) firmou dois contratos com a Fiems:

  • R$ 641 mil para fornecimento de materiais elétricos;

  • R$ 455 mil para fornecimento de equipamentos de proteção individual.

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Já a empresa Inovaseg Comercial de Equipamentos e Serviços Ltda. assinou contrato de R$ 405 mil com o Senai — instituição que também integra o sistema Fiems.

Apesar de atuarem no comércio de ferragens e ferramentas, ambas possuem os mesmos proprietários, Diego de Souza Alves e Evanildo Albuquerque da Rosa, informação disponível em registros públicos da Receita Federal.

O inquérito foi instaurado em fevereiro pelo promotor de Justiça Humberto Lapa Ferri. Os detalhes da investigação correm sob sigilo.

Prestígio político e falta de respostas

Mesmo diante de investigações milionárias, bloqueio judicial de bens e novos questionamentos sobre contratos recentes, Sérgio Longen permanece à frente da Fiems — uma das entidades empresariais mais influentes de Mato Grosso do Sul.

A permanência prolongada do dirigente no comando da federação levanta críticas sobre falta de renovação, transparência e accountability dentro do sistema industrial, que administra recursos de origem pública e parafiscal.

Enquanto a Justiça ainda tenta esclarecer o destino de centenas de milhões de reais investigados na Operação Fantoche, uma pergunta continua ecoando entre especialistas em controle público: como uma estrutura que movimenta cifras tão altas consegue atravessar anos de investigações sem mudanças estruturais profundas?

Por ora, o bloqueio de bens segue como um lembrete de que o caso está longe de um desfecho — e de que as suspeitas sobre a gestão do sistema industrial ainda pairam sobre a Fiems.

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