Governador mantém discurso de tranquilidade e projeta candidatura ao Senado; vice-governadora adota postura discreta enquanto cenário eleitoral de 2026 começa a se desenhar
Brasília vive um momento de tensão política marcado menos por discursos inflamados e mais por silêncios calculados. O escândalo envolvendo o Banco Master e sua negociação com o Banco de Brasília (BRB) colocou o governador Ibaneis Rocha no centro de uma crise institucional que, embora relevante, ainda não gerou mobilizações populares de grande escala no Distrito Federal.
A investigação, que apura as circunstâncias da tentativa de aquisição de ativos do Master pelo BRB, trouxe à tona declarações do controlador da instituição privada mencionando diálogo com o chefe do Executivo local. Ibaneis nega qualquer irregularidade e afirma estar “tranquilo” quanto às apurações. Paralelamente, reforçou sua defesa jurídica e mantém publicamente o plano de disputar uma vaga ao Senado em 2026.
Nos bastidores, aliados reconhecem que o episódio provocou desgaste político, mas avaliam que a crise permanece restrita ao campo institucional, tribunais, órgãos de controle e debates parlamentares, sem transbordar para as ruas.
Pedidos de investigação e articulações
O caso gerou pedidos de investigação e tentativas de ampliação do debate no Legislativo local. Representações e requerimentos foram apresentados por parlamentares de oposição, mas até o momento três pedidos de impeachment já terem sido rejeitados pela CLDF, o que demonstra que não houve avanço significativo nas medidas contra o governador.
O tema também passou a integrar o debate pré-eleitoral. Embora Ibaneis reafirme sua intenção de concorrer ao Senado, interlocutores políticos admitem que o cenário dependerá do desdobramento das investigações e da capacidade do grupo governista de manter coesão interna.
Celina adota postura cautelosa
Enquanto isso, a vice-governadora Celina Leão mantém postura pública moderada em relação ao caso. Apontada como principal nome do grupo para disputar o Governo do Distrito Federal em 2026, Celina tem priorizado agendas administrativas e evitado vincular sua imagem diretamente ao debate sobre o Banco Master.
Apesar da estratégia que busca preservar seu capital político e evitar contaminação eleitoral, a vice-governadora também enfrenta a possibilidade de perder apoio à sua candidatura ao GDF para o deputado federal, Rafael Prudente (MDB), também cotado para a disputa ao governo.
2026 no horizonte
Com o calendário eleitoral se aproximando, o silêncio pode ser tão eloquente quanto declarações públicas. Ibaneis busca sustentar sua viabilidade ao Senado, enquanto Celina trabalha para se consolidar como herdeira natural do grupo político no Buriti.
O escândalo do Banco Master não apenas desafia a gestão atual, mas também redefine o tabuleiro para 2026. Por ora, a crise segue mais presente nos gabinetes e tribunais do que nas ruas, mas seu impacto político ainda está em construção.





















