Feminicídios escancaram crise na proteção às mulheres em Mato Grosso do Sul
O assassinato brutal de Rosana Candia Ohara, de 62 anos, morta a pauladas pelo próprio marido em Corumbá, reacende o alerta sobre a falta de segurança pública e a fragilidade das políticas de proteção às mulheres em Mato Grosso do Sul. O crime, ocorrido na noite de sábado (24), é o segundo caso de feminicídio registrado no Estado em 2026, evidenciando um cenário de violência persistente.
Mesmo diante de pedidos de socorro e da tentativa de intervenção de vizinhos, a vítima não resistiu às agressões. O crime aconteceu em uma área residencial, com testemunhas, o que reforça a sensação de insegurança e impunidade. Segundo o boletim de ocorrência, o agressor não apenas ignorou os apelos para cessar a violência, como também ameaçou matar quem acionasse a polícia.
A ousadia do suspeito chamou atenção das autoridades. Após o crime, ele tentou se esconder na casa de um familiar, desrespeitou policiais durante a abordagem e chegou a afirmar ter influência política, numa clara tentativa de intimidar os agentes de segurança. O comportamento evidencia não apenas crueldade, mas também a confiança de que poderia escapar das consequências.
Apesar da existência da Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) e de leis específicas para coibir a violência doméstica, os números continuam alarmantes. Casos como o de Rosana expõem falhas na prevenção, na fiscalização de situações de risco e na atuação do Estado antes que a violência chegue ao extremo.
Especialistas apontam que o combate ao feminicídio exige mais do que ações repressivas após o crime. É necessária a ampliação de políticas públicas efetivas, investimento em segurança, fortalecimento das redes de proteção às vítimas e campanhas permanentes de conscientização.
Enquanto isso, mulheres continuam morrendo dentro de casa, muitas vezes sob o olhar impotente de vizinhos e familiares. O feminicídio de Rosana Candia Ohara não é um caso isolado é mais um retrato da urgência de medidas concretas para garantir segurança e preservar vidas em Mato Grosso do Sul.




















