Meses após a última paralisação, profissionais da saúde da Santa Casa de Campo Grande suspenderam parcialmente as atividades nesta terça-feira (9), devido ao atraso no pagamento dos salários. Pela manhã, funcionários de diferentes setores se reuniram em frente ao saguão do hospital para protestar e cobrar respostas sobre a previsão de pagamento.
Conforme o presidente do Sintesaúde (Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Mato Grosso do Sul), Osmar Gussi, o atraso atinge cerca de 4 mil trabalhadores.
“Essa mobilização, infelizmente, tem se tornado rotina na Santa Casa. Assim que o pagamento cair, voltamos aos setores, mas até o momento não temos nenhuma posição. Estamos aguardando a presidente da Santa Casa iniciar o trabalho para buscarmos explicações sobre a situação”, afirmou.

Segundo ele, a administração do hospital justifica que a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) não realizou os repasses previstos até o 5º dia útil deste mês, que se encerrou na última sexta-feira (5).
“Não é nem uma decisão do sindicato, é a vontade dos trabalhadores. Vamos permanecer parados até depositarem os salários”, reforçou Gussi.
Apesar da mobilização, o sindicato garante que os serviços essenciais continuam em funcionamento. “Lavanderia, copa, cozinha e enfermagem seguem atendendo. A assistência não está desassistida”, pontuou.
Auxiliar de tapeceiro, Joventino Ribeiro ressalta que aderiu à paralisação como meio de pressionar a direção do hospital.
“Paramos devido ao atraso do pagamento desde sexta-feira, o quinto dia útil. Até agora não temos data, não temos previsão. Não tivemos respostas, por isso estamos parados”, disse.
O que diz a Santa Casa?
Em nota, a Santa Casa de Campo Grande comunicou que, até o momento, não efetuou o pagamento dos funcionários, em razão da não liberação dos recursos referentes aos serviços prestados à União, ao Estado e ao Município de Campo Grande.
“Tão logo os referidos valores sejam repassados, os pagamentos serão realizados de forma imediata”, disse.
O Jorn
Problema crônico

Atrasos salariais são recorrentes na Santa Casa. Em janeiro, cerca de 1,5 mil profissionais da enfermagem protestaram contra o não pagamento dos salários de dezembro, que deveria ter ocorrido até 7 de janeiro.
Na ocasião, o então presidente do Sintesaúde/MS, Lázaro Santana, afirmou que o problema foi causado pela falta de repasses do governo estadual e da prefeitura de Campo Grande.
“Conforme os gestores, não havia previsão para pagamento. Eles relataram que não receberam recursos da prefeitura nem do Estado, e dependem desses repasses para quitar a folha”, disse Santana à época.
Superlotação
Dois meses depois, o hospital chegou a suspender o recebimento de novos pacientes devido à superlotação. O setor de urgência e emergência, projetado para 13 leitos, chegou a abrigar mais de 80 pacientes.
Na ocasião, a direção dos hospital afirmou em nota que, a superlotação gera sobrecarga em toda a rede de serviços e provoca escassez crítica de insumos.
JORNAL MIDIAMAX














