Dinheiro Público

UFMS investe R$ 4,5 milhões em campanhas e se destaca entre federais, aponta auditoria do TCU

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A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul foi a única universidade federal do país a investir de forma sistemática em campanhas publicitárias para divulgar vagas e oportunidades acadêmicas nos últimos anos. O dado consta em auditoria do Tribunal de Contas da União, que analisou a ocupação de vagas no ensino superior público.

Segundo o levantamento, a UFMS destinou R$ 4.548.313,00 entre 2019 e 2023 para ações de comunicação. Os valores anuais variaram de R$ 380 mil a R$ 717 mil, contemplando campanhas sobre formas de ingresso, cursos de pós-graduação e iniciativas institucionais, como medidas adotadas durante a pandemia de Covid-19.

A auditoria avaliou dados de 69 universidades federais ao longo de uma década, entre 2014 e 2024, e buscou entender as razões para a ociosidade de vagas. Nesse contexto, a atuação da UFMS foi considerada um ponto fora da curva: foi a única instituição a registrar campanhas contínuas no Sicom (Sistema de Comunicação do Governo Federal).

Queda na ocupação preocupa

O relatório do TCU aponta uma queda consistente na ocupação de vagas nas universidades federais a partir de 2020. Historicamente próxima de 90%, a taxa caiu e passou a oscilar entre 75% e 78%.

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Em 2022, cerca de 75% das 297 mil vagas ofertadas foram preenchidas. Já em 2023, o índice ficou em 78% de um total de 304 mil vagas, indicando que uma parcela significativa permanece ociosa.

Entre os fatores apontados para esse cenário estão a baixa oferta de cursos na modalidade de educação a distância (EaD) e a pouca diversidade de formatos de ensino. Atualmente, a maioria dos cursos ainda é presencial, com concentração de opções EaD em áreas como Educação e Administração.

Críticas ao MEC

O relatório também faz críticas às campanhas institucionais do Ministério da Educação. Segundo o TCU, as ações de divulgação de programas como Enem, Sisu, Prouni e Fies não estabelecem conexão clara com o ingresso nas universidades federais.

De acordo com o documento, materiais publicados em plataformas como o YouTube não mencionam diretamente as instituições federais, limitando-se a citar “universidades públicas” de forma genérica. Para o tribunal, essa falha de comunicação pode impactar negativamente o interesse de estudantes.

Além disso, a auditoria destaca que não houve previsão orçamentária para publicidade de utilidade pública entre 2014 e 2015. A partir de 2016, apenas três instituições receberam recursos para essa finalidade: a UFMS, a Universidade Federal da Grande Dourados e a Universidade Federal do ABC.

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Desafio nacional

O cenário traçado pelo TCU evidencia um desafio crescente para o ensino superior federal: ampliar a ocupação de vagas em um contexto de mudanças no perfil dos estudantes e na demanda por modalidades mais flexíveis .

Para especialistas, iniciativas de comunicação mais eficazes e diversificação das formas de ensino podem ser caminhos para reverter a tendência de ociosidade e ampliar o acesso às universidades públicas no país.

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