“a área mais elogiada”

Discurso do governo desconsidera colapso da saúde pública no DF

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A declaração da governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão, de que a saúde seria “a área mais elogiada” nas ouvidorias do GDF soa como um descolamento completo da realidade enfrentada diariamente por pacientes e profissionais da rede pública. Enquanto o discurso oficial tenta vender eficiência, o sistema de saúde do DF opera em estado crônico de colapso.

Filas intermináveis, falta de médicos, escassez de leitos e atendimento precário em hospitais e UPAs não são exceção, mas rotina. A população que depende exclusivamente do SUS convive com meses  e até anos  de espera por exames, consultas especializadas e cirurgias. Em muitas unidades básicas, a ausência de profissionais se arrasta por longos períodos, inviabilizando qualquer noção de atendimento contínuo.

A gravidade da situação é tamanha que a saúde do DF se tornou uma das áreas mais judicializadas da administração pública. O Judiciário é acionado de forma recorrente para obrigar o governo a cumprir obrigações elementares, como garantir internações, procedimentos cirúrgicos e acesso a medicamentos. Quando decisões judiciais passam a substituir a gestão pública, o recado é claro: o sistema falhou.

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O próprio Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) já acionou o GDF e o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IGESDF) diante da deficiência estrutural da rede. Falta de profissionais, número insuficiente de leitos e incapacidade de resposta à demanda crescente são problemas oficialmente reconhecidos, não narrativas de oposição ou exageros pontuais.

Relatórios técnicos, denúncias de sindicatos e relatos de usuários reforçam um cenário de abandono. Episódios de revolta popular, incluindo depredações em unidades de saúde, são sintomas de uma população exausta, que perdeu a confiança no sistema e na capacidade do governo de oferecer o mínimo constitucional.

Nesse contexto, a tentativa de pintar a saúde como vitrine positiva da gestão beira a ironia. A fala da governadora em exercício não apenas contrasta com os fatos, mas desrespeita a experiência concreta de milhares de brasilienses que enfrentam sofrimento, dor e insegurança ao buscar atendimento.

Longe de ser “a área mais elogiada”, a saúde pública do Distrito Federal se tornou símbolo de descrédito institucional, improviso administrativo e desconexão entre o discurso político e a realidade das ruas. Enquanto o governo insiste em narrativas otimistas, a população segue pagando o preço de uma gestão que falha no que há de mais básico: cuidar das pessoas.

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