A recente declaração do governador Otaviano Pivetta, classificando o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) como inviável e oneroso para Cuiabá e Várzea Grande, reacendeu o debate sobre as prioridades da atual gestão estadual. Ao mesmo tempo em que o governo defende a substituição do modal por alternativas consideradas mais baratas, como o BRT, cresce a contestação sobre o destino de recursos públicos em projetos de alto custo voltados ao lazer e entretenimento.
Durante agenda pública, Pivetta argumentou que o VLT representaria um investimento excessivo para os cofres estaduais, além de demandar manutenção cara. A solução defendida pelo governo passa pela venda dos vagões e a implementação de um sistema de ônibus de trânsito rápido. A justificativa, no entanto, não tem sido suficiente para conter críticas de especialistas e setores da sociedade civil, que apontam a perda de um projeto estruturante de mobilidade urbana.
O ponto central das críticas está na aparente contradição entre o discurso de contenção de gastos e os investimentos anunciados em outras áreas. Projetos como parques temáticos, roda-gigante e até um autódromo de padrão elevado vêm sendo citados como exemplos de iniciativas que consomem cifras bilionárias, levantando questionamentos sobre os critérios adotados na definição de prioridades.
Para opositores da gestão, a decisão de abandonar o VLT representa um retrocesso em termos de mobilidade sustentável. O modal, embora envolto em polêmicas desde sua implantação, é frequentemente apontado como uma solução moderna e de maior capacidade para atender a população da região metropolitana, estimada em cerca de 1 milhão de habitantes.
Outro ponto levantado é o impacto social das escolhas orçamentárias. Críticos afirmam que, ao direcionar recursos para empreendimentos voltados ao lazer de alto padrão, o governo deixa de investir em infraestrutura essencial para o dia a dia da população, especialmente no transporte público, considerado um dos principais gargalos urbanos.
Por outro lado, o governo sustenta que os novos projetos têm potencial de impulsionar o turismo e gerar desenvolvimento econômico, criando empregos e atraindo investimentos privados. A administração também defende que o BRT oferece uma solução mais ágil e financeiramente viável para atender à demanda de mobilidade.
O debate evidencia um embate clássico entre diferentes visões de gestão pública: de um lado, a aposta em grandes projetos de impacto econômico; de outro, a cobrança por investimentos diretos em serviços básicos. Enquanto isso, a população segue à espera de soluções concretas para problemas históricos de deslocamento na capital e região metropolitana.























