O governo de Mato Grosso, sob gestão do governador Mauro Mendes, abriu crédito suplementar de R$ 350 milhões em favor da MT Participações e Projetos S.A. (MTPar), conforme decreto publicado no Diário Oficial de 30 de março de 2026. O recurso, oriundo de excesso de arrecadação, reforça o caixa da estatal responsável por projetos estratégicos do Estado, entre eles o Parque Novo Mato Grosso apelidado por críticos de “parque dos bilionários” e investimentos ligados à BR-163.
Além do novo crédito, o governo estadual já aportou R$ 447 milhões no fundo estruturado pela MTPar, o MTPar Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não-Padronizado. O instrumento foi criado pela REAG Investimentos e administrado pela própria gestora desde o início de sua operação, em abril de 2023.
A liberação dos recursos ocorre em meio a questionamentos judiciais e institucionais envolvendo a estatal. As denúncias foram apresentadas pelo ex-governador Pedro Taques à Procuradoria-Geral da República e ao Senado Federal, apontando supostas negociações entre a MTPar, a REAG e o Banco Master. Segundo os relatos, essas operações envolveriam fundos que, conforme classificação atribuída à Polícia Federal, teriam ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O volume expressivo de recursos públicos direcionados à estatal, nesse contexto, ampliou a pressão por esclarecimentos. Especialistas e órgãos de controle destacam a necessidade de maior transparência na governança dos fundos e na aplicação do dinheiro público. A discussão também reacende o debate sobre mecanismos de fiscalização e controle em investimentos estruturados com participação estatal.
Até o momento, o governo de Mato Grosso sustenta que os aportes seguem critérios técnicos e que os investimentos têm como objetivo impulsionar projetos de infraestrutura e desenvolvimento econômico. Já críticos defendem que, diante das denúncias, os repasses deveriam ser acompanhados de auditorias independentes e prestação de contas detalhada.
























