MATO GROSSO

Governador dispara contra Lúdio e associa campanha a suposto dinheiro do esquema do VLT

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Pivetta afirma que candidatura de 2012 “possivelmente” foi financiada com recursos desviados da corrupção do VLT; deputado ainda não se pronunciou sobre as declarações

O governador em exercício de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), fez nesta segunda-feira (14) uma das mais graves acusações políticas dos últimos anos no Estado ao levantar, publicamente, a suspeita de que a campanha do deputado estadual Lúdio Cabral (PT) à Prefeitura de Cuiabá, em 2012, possa ter sido financiada com recursos provenientes do esquema de corrupção nas obras do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).

A declaração ocorreu durante conversa com jornalistas, um dia após a audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), marcada por forte tensão entre parlamentares e o secretário de Estado de Infraestrutura, Marcelo de Oliveira, conhecido como Marcelo Padeiro.

Segundo Pivetta, o secretário deixou a audiência visivelmente abalado porque pretendia abordar justamente essa suspeita, mas acabou interrompendo sua participação antes de fazê-lo.

“O que o Marcelo queria dizer é que teve a eleição em 2012 e que o candidato do Silval Barbosa em 2012, possivelmente tenha usado recursos também da corrupção do VLT. É isso que o Marcelo queria dizer ontem. Eu estou falando que em 2012 teve eleição e foi exatamente no tempo em que o VLT estava sendo assaltado. E nessa eleição, o candidato a prefeito de Cuiabá foi apoiado pelo então governador Silval Barbosa. Procurem tirar as conclusões de vocês”, afirmou Pivetta.

Secretário deixou audiência alegando risco de infarto

A declaração do governador ocorreu após o episódio registrado durante audiência pública convocada por Lúdio Cabral para discutir o andamento das obras do BRT (Bus Rapid Transit) na Região Metropolitana de Cuiabá.

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Durante os debates, Marcelo Padeiro interrompeu sua fala, demonstrou forte abalo emocional e pediu autorização para deixar o plenário.

Visivelmente nervoso, o secretário afirmou que sua pressão arterial havia aumentado e declarou que, caso permanecesse na audiência, corria o risco de sofrer um infarto. A saída inesperada chamou a atenção dos deputados e repercutiu imediatamente no meio político.

Segundo Pivetta, o estado emocional do secretário estaria relacionado à impossibilidade de expor fatos envolvendo o histórico do VLT e a relação política existente à época entre o então governador Silval Barbosa e a candidatura de Lúdio Cabral à Prefeitura de Cuiabá.

VLT se tornou um dos maiores escândalos de corrupção de Mato Grosso

As declarações de Pivetta remetem ao escândalo envolvendo a implantação do VLT, obra anunciada para a Copa do Mundo de 2014.

Orçado inicialmente em aproximadamente R$ 1,4 bilhão, o empreendimento nunca foi concluído e acabou sendo substituído pelo projeto do BRT na atual gestão estadual.

Nas delações premiadas firmadas junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) e homologadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-governador Silval Barbosa confessou ter liderado uma organização criminosa responsável pelo desvio de aproximadamente R$ 1 bilhão dos cofres públicos de Mato Grosso.

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Em seus depoimentos, Silval também relatou o pagamento de cerca de R$ 18 milhões em propinas relacionadas ao contrato do consórcio responsável pelas obras do VLT.

Acusação não foi acompanhada de provas

Embora tenha feito uma declaração de forte impacto político, Pivetta não apresentou documentos, provas ou elementos públicos que sustentem a suspeita de que recursos do esquema do VLT tenham sido utilizados na campanha eleitoral de Lúdio Cabral em 2012.

Até a publicação desta reportagem, Lúdio Cabral não havia se manifestado oficialmente sobre as declarações do governador.

O espaço permanece aberto para eventual posicionamento do parlamentar ou de sua defesa, que será publicado caso seja encaminhado.

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