Representação protocolada pelo deputado federal Rafael Fera pede que a Polícia Federal apure possível acesso antecipado a informações sigilosas da Operação Reduto; documentos enviados às autoridades também citam contratos de publicidade da Assembleia Legislativa de Rondônia administrados por agência que concentra verba milionária.
A Operação Reduto, deflagrada pela Polícia Federal em 9 de julho de 2026, passou a ter um novo eixo de questionamentos após o deputado federal Rafael Fera protocolar uma representação criminal solicitando a abertura de investigação para apurar um possível vazamento de informações sigilosas antes do cumprimento dos mandados judiciais.
O documento, apresentado à Superintendência Regional da Polícia Federal em Rondônia, não afirma que o vazamento efetivamente ocorreu, mas sustenta que a sequência dos fatos registrada na véspera da operação merece apuração para verificar se pessoas investigadas tiveram acesso antecipado às medidas autorizadas pela Justiça.
Cronologia levanta suspeitas
Segundo a representação, na noite de 8 de julho, poucas horas antes da deflagração da operação, o presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia, Alex Redano, comunicou em um grupo de WhatsApp que não participaria de um compromisso político previamente agendado, alegando um problema familiar.
Na sequência, publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que havia recebido “algumas notícias” que o deixavam preocupado.
Na gravação, destacam-se as declarações:
“Recebo há pouco algumas notícias que nos deixam preocupados.”
Em outro trecho, afirma:
“Existem muitas inverdades, muitas acusações, e muitas vezes levando o próprio Judiciário ao erro.”
Para Rafael Fera, a proximidade temporal entre essas manifestações públicas e a deflagração da Operação Reduto justifica a abertura de investigação para esclarecer se houve acesso indevido a informações protegidas por sigilo.
Alvos da Operação Reduto
Na manhã seguinte, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em Ariquemes, Porto Velho e Manaus.
Entre os locais atingidos estavam, conforme divulgado na própria investigação, a residência e o gabinete parlamentar de Alex Redano, além de imóveis ligados a outros investigados.
Na representação, o parlamentar sustenta que eventual conhecimento antecipado da operação poderia ter comprometido a eficácia das buscas, permitindo, em tese, ocultação de documentos, equipamentos eletrônicos ou outros elementos de interesse investigativo.
Por esse motivo, solicita que a Polícia Federal realize diligências para identificar eventual comunicação entre pessoas investigadas e agentes públicos que eventualmente tivessem acesso às informações sigilosas.
Até o momento, não há qualquer conclusão oficial da Polícia Federal confirmando a existência de vazamento.
Pedido formal de investigação
Entre os requerimentos apresentados por Rafael Fera estão:
- instauração formal da apuração;
- investigação sobre eventual vazamento de informações sigilosas;
- realização de diligências necessárias;
- adoção das medidas legais cabíveis caso sejam encontrados indícios;
- comunicação ao autor da representação sobre o resultado da investigação, respeitado o sigilo legal.
Como anexos foram entregues um pen-drive contendo os vídeos mencionados e cópia de reportagem utilizada como elemento de informação.
Publicidade da Assembleia também entra no radar
Paralelamente ao pedido de investigação sobre o suposto vazamento da Operação Reduto, novas denúncias encaminhadas às autoridades federais também mencionam contratos de publicidade institucional da Assembleia Legislativa de Rondônia.
Segundo informações constantes dos documentos enviados aos órgãos de controle, uma agência de publicidade identificada como PEN6 teria exercido, ao longo de diferentes gestões da Assembleia, influência sobre a administração de uma verba milionária destinada à comunicação institucional do Legislativo estadual.
Os documentos sustentam que contratos e pagamentos relacionados à publicidade oficial merecem análise aprofundada pelos órgãos de investigação para verificar eventual regularidade na execução contratual, na distribuição das campanhas e na aplicação dos recursos públicos.
Até o momento, não há divulgação oficial de investigação da Polícia Federal especificamente sobre esses contratos, tampouco decisão judicial apontando irregularidades envolvendo a agência mencionada.
Novas frentes de apuração
Fontes ligadas às denúncias afirmam que novos documentos foram encaminhados às autoridades competentes contendo informações que poderão subsidiar futuras investigações sobre contratos públicos e execução de verbas de publicidade.
Caso os elementos apresentados sejam considerados suficientes pelos órgãos responsáveis, novas diligências ou procedimentos investigatórios poderão ser instaurados para verificar a consistência das informações.
Neste momento, contudo, essas alegações permanecem em fase de análise e não representam conclusão sobre eventual prática de ilícitos.
Reportagem permanece aberta
A reportagem permanece aberta para manifestações da Polícia Federal, da Assembleia Legislativa de Rondônia, da agência PEN6 e das demais pessoas mencionadas.
Caso sejam apresentados esclarecimentos ou posicionamentos oficiais, o conteúdo deverá ser atualizado para contemplar todas as versões dos fatos, em observância aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do equilíbrio jornalístico.






















