Prisão do secretário-geral Rogério Gago, apontado como um dos homens mais poderosos da Assembleia Legislativa, coloca gestão de Alex Redano no centro da maior crise política desde o início de seu mandato.
A Operação Reduto, deflagrada pela Polícia Federal com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público de Rondônia (MPRO), não atingiu apenas servidores da Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO). A ofensiva desmontou o principal núcleo administrativo da gestão do presidente da Casa, deputado estadual Alex Redano (Republicanos), e pode representar um divisor de águas para seu futuro político.
O principal alvo da operação foi o secretário-geral da Assembleia, Rogério Gago, conhecido como “Tigrão”, preso preventivamente em Porto Velho por determinação do Tribunal de Justiça de Rondônia. Considerado um dos homens mais influentes do Parlamento estadual, Gago era tratado nos bastidores como o braço direito administrativo de Alex Redano, responsável por acompanhar decisões estratégicas e pelo funcionamento da máquina interna da Casa.
Sua prisão elevou a crise institucional da Assembleia a um novo patamar.
A investigação da Polícia Federal apura a atuação de uma suposta organização criminosa envolvida em fraude em licitações, peculato, lavagem de dinheiro, associação criminosa e um possível esquema de “rachadinha” com recursos públicos. Segundo a PF, as apurações começaram após relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) identificarem movimentações financeiras consideradas atípicas.
Além das duas prisões preventivas, a Justiça determinou o afastamento de 11 servidores públicos, o cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de até R$ 9 milhões em bens e ativos financeiros.
Embora Alex Redano não seja alvo da operação nem tenha sido apontado pela Polícia Federal como investigado, o impacto político é inevitável. Quando o principal gestor administrativo de um Poder Legislativo é preso em uma investigação sobre supostos desvios de recursos públicos, a crise deixa de ser individual e passa a atingir diretamente a credibilidade da administração.
Nos corredores da Assembleia, a leitura predominante é de que a Operação Reduto pode redesenhar completamente o cenário político interno. Deputados que acompanhavam discretamente os movimentos para a próxima eleição da Mesa Diretora agora avaliam que o desgaste provocado pela investigação poderá enfraquecer a capacidade de articulação do grupo liderado por Redano.
O fator político pesa tanto quanto o jurídico. Ainda que nenhuma acusação recaia sobre o presidente da Assembleia neste momento, o desgaste de ver seu principal homem de confiança preso pela Polícia Federal pode dificultar a construção de consenso para uma eventual nova candidatura ao comando do Legislativo.
Caso as investigações avancem e alcancem outros integrantes da estrutura administrativa da Casa, a pressão sobre a atual gestão tende a aumentar. Em um ambiente político, crises dessa magnitude costumam produzir isolamento, estimular dissidências e fortalecer adversários internos.
A Assembleia Legislativa divulgou nota oficial afirmando que acompanha a operação, reafirmando seu compromisso com a legalidade, a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos. A Casa também declarou que colaborará com as autoridades e destacou que os fatos devem ser apurados com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.
A Operação Reduto ainda está em curso e caberá às investigações esclarecer a extensão das responsabilidades individuais dos envolvidos. No campo político, porém, os efeitos já começaram. A prisão de Rogério Gago rompeu o ambiente de estabilidade construído pela atual Mesa Diretora e colocou sob forte pressão o grupo que hoje comanda a Assembleia Legislativa de Rondônia.
Se até poucos dias atrás a reeleição de Alex Redano era tratada por aliados como um projeto viável, a partir da Operação Reduto esse cenário passa a depender não apenas da articulação política, mas também do desdobramento das investigações conduzidas pela Polícia Federal. O futuro da disputa pelo comando da ALE-RO poderá ser definido tanto nos bastidores do Parlamento quanto pelo avanço das apurações sobre o suposto esquema investigado.





















