A Polícia Federal deflagrou, na última sexta-feira (19), a Operação Moeda de Troca para investigar um suposto esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2024 em Mirante da Serra, interior de Rondônia. Entre os alvos da ação estão o vereador Martinho Freire da Silva, conhecido como Martins (União Brasil), uma ex-servidora comissionada do Detran, um ex-suplente de vereador e pastores evangélicos da cidade.
De acordo com as investigações, o esquema envolveria o pagamento em dinheiro a eleitores e a promessa de vantagens, incluindo nomeações para cargos na administração pública municipal, em troca de apoio político durante a disputa para vereador.
Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão domiciliar e pessoal, expedidos pela Justiça Eleitoral. Durante uma das diligências, os agentes localizaram uma arma de fogo na residência do vereador Martins. Ele foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo, conduzido à Delegacia da Polícia Federal em Ji-Paraná, mas acabou liberado após pagamento de fiança. O parlamentar responderá pelo crime previsto no artigo 12 da Lei nº 10.826/2003.
Servidor aposentado da Emater e atualmente em seu quinto mandato na Câmara Municipal, Martins é uma das figuras mais tradicionais da política local. Suas sucessivas vitórias eleitorais sempre foram alvo de especulações no município, embora até então não houvesse comprovação de irregularidades.
As investigações tiveram início após uma notícia-crime apontar possíveis práticas de corrupção eleitoral relacionadas à eleição municipal de 2024. No decorrer da apuração, a Polícia Federal reuniu elementos que indicariam a participação de várias pessoas na suposta negociação de votos.
Segundo a PF, as medidas de busca e apreensão têm como objetivo coletar comunicações, documentos, arquivos e outros elementos capazes de esclarecer as circunstâncias dos fatos. Todo o material recolhido será submetido à análise para subsidiar o andamento das investigações.
Os envolvidos poderão responder, conforme o grau de participação de cada um, pelo crime de corrupção eleitoral, previsto no artigo 299 do Código Eleitoral. O investigado preso em flagrante também responderá pelo crime de posse ilegal de arma de fogo.
Até o momento, a defesa dos investigados não se manifestou sobre as acusações. O espaço permanece aberto para eventuais posicionamentos.






















