O ex-deputado estadual Neno Razuk (PL) foi preso neste domingo (2) pela polícia da Bolívia, após permanecer foragido por quase um mês. Contra ele havia um mandado de prisão em aberto no âmbito da Operação Successione, que investiga uma organização criminosa acusada de controlar a exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. O político também estava prestes a ser incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol.
Segundo informações preliminares, Neno foi abordado por policiais bolivianos e apresentou uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Durante a checagem dos documentos, as autoridades identificaram o mandado de prisão expedido pela Justiça brasileira, efetuando a prisão imediatamente.
A defesa do ex-parlamentar informou que ainda não havia recebido comunicação oficial sobre a detenção. O próximo passo deverá ser o processo de transferência para o Brasil, que normalmente é coordenado pela Polícia Federal em conjunto com as autoridades bolivianas.
Operação Successione
A prisão ocorre em desdobramento da Operação Successione, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, em dezembro de 2023.
A investigação revelou a atuação de uma organização criminosa que disputava o controle da exploração ilegal do jogo do bicho em Campo Grande. A apuração teve início após uma série de roubos de malotes pertencentes a grupos rivais. Em pelo menos dois dos casos, vítimas reconheceram um sargento da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul como um dos autores dos assaltos.
Na primeira fase da operação, dez pessoas foram alvo de medidas judiciais, incluindo Neno Razuk, então deputado estadual.
Na época, o parlamentar negou qualquer envolvimento com o esquema.
“Tenho certeza de que não tenho nenhum envolvimento com essa atividade. Acordei com essa surpresa. Tenho certeza de que quando essa investigação acabar, vai ser mostrado que não tenho nenhum envolvimento”, declarou.
Organização criminosa
De acordo com o Gaeco, o grupo utilizava violência e intimidação para ampliar seu domínio sobre a exploração do jogo ilegal, mesmo após a apreensão de aproximadamente 700 máquinas de jogo do bicho em um imóvel no bairro Monte Castelo, em Campo Grande.
As investigações apontam que a organização era integrada por policiais militares da reserva e um ex-policial militar, que utilizavam o porte de arma e a influência adquirida na carreira para impor o controle da atividade clandestina.
A Operação Successione teve novos desdobramentos ao longo dos anos:
- Dezembro de 2023: segunda fase, com 12 mandados de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão;
- Janeiro de 2024: terceira fase, que resultou em mais duas prisões preventivas e uma busca e apreensão. Um dos investigados utilizava indevidamente os nomes do então governador e do secretário estadual de Segurança Pública para aplicar golpes;
- Novembro de 2025: quarta fase, com 20 mandados de prisão preventiva e 27 mandados de busca e apreensão cumpridos em Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.
Neno é apontado como líder do grupo
Segundo o Ministério Público, Neno Razuk é apontado como um dos líderes da organização criminosa. Também foram alvos da quarta fase da operação seu pai, Roberto Razuk, e os irmãos Rafael Godoy Razuk e Jorge Razuk Neto.
As investigações indicam que Roberto Razuk assumiu o comando da exploração do jogo do bicho na região sul de Mato Grosso do Sul após a reorganização da estrutura criminosa anteriormente comandada por Fahd Jamil.
Conforme o Gaeco, o antigo esquema teria sido dividido entre diferentes grupos, ficando a região de Campo Grande sob influência de Jamil Name e a região de Dourados e Ponta Porã sob responsabilidade de Roberto Razuk.
Com a prisão na Bolívia, Neno deverá permanecer à disposição das autoridades até a conclusão dos procedimentos de cooperação internacional para sua transferência ao Brasil, onde responderá às acusações relacionadas à Operação Successione.


















