Operação Gutenberg

12 prefeituras de MS compraram R$ 22,1 milhões em livros sem licitação de editora alvo do Gaeco

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Empresa investigada na Operação Gutenberg fechou contratos milionários com municípios sul-mato-grossenses; Dourados lidera gastos e Campo Grande desembolsou R$ 3,2 milhões em projeto educacional

Pelo menos 12 prefeituras de Mato Grosso do Sul contrataram, sem licitação, a empresa Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços, conhecida comercialmente como Editora Avante, para fornecimento de livros paradidáticos, coleções temáticas e kits pedagógicos. Levantamento aponta que os contratos firmados entre 2022 e 2026 somam R$ 22.179.312,80.

As contratações ganharam repercussão após a deflagração da Operação Gutenberg, que investiga um suposto esquema de direcionamento de compras públicas sem licitação para aquisição de materiais paradidáticos. Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), a organização investigada teria movimentado aproximadamente R$ 27 milhões em recursos públicos.

Entre os alvos da operação estão o empresário Joatan Gomes Peixoto, proprietário da editora sediada em São Paulo, preso durante a ação, e seu filho, Matheus Oliveira Peixoto, também alvo de mandado de prisão. Ambos permanecem à disposição da Justiça, e as investigações seguem em andamento.

Nova Alvorada do Sul assinou contrato em maio

O contrato mais recente identificado foi firmado pela Prefeitura de Nova Alvorada do Sul, em maio deste ano, no valor de R$ 256,2 mil.

O objeto da contratação prevê o fornecimento de materiais paradidáticos destinados aos estudantes do 1º ao 9º ano da rede municipal de ensino, incluindo coleções temáticas e kits pedagógicos voltados ao fortalecimento da leitura, educação ambiental, inclusão, prevenção às drogas, convivência escolar e desenvolvimento socioemocional.

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A contratação ocorreu por inexigibilidade de licitação.

Dourados concentra maior volume de recursos

O maior volume de recursos públicos destinados à editora foi registrado em Dourados, onde dois contratos somam aproximadamente R$ 13 milhões.

O primeiro, firmado em setembro de 2023, alcançou R$ 4,3 milhões. Já o segundo, celebrado em julho de 2024, custou R$ 8,6 milhões.

Entre os materiais adquiridos estão coleções como:

  • Cores, Formas, Letras, Números e Contrários;
  • Defensores da Vida Saudável;
  • Cada um com seu Jeito;
  • A Menina que Não Queria Comer;
  • Mosquito Aqui Não!;
  • Droga, o que é?;
  • Atenção aos Perigos;
  • Que Lixo é Esse?;
  • Pra Ter uma Boca Saudável;
  • publicações sobre obesidade infantil.

Campo Grande desembolsou R$ 3,2 milhões

A Prefeitura de Campo Grande também contratou a Editora Avante para implantação do projeto Craque na Vida, ao custo de R$ 3,2 milhões.

Segundo divulgação oficial feita na época, o programa atenderia aproximadamente 29 mil estudantes do 6º ao 9º ano da Rede Municipal de Ensino.

Além da distribuição dos livros, o projeto previa:

  • diagnóstico do ambiente escolar;
  • identificação de habilidades dos estudantes;
  • mapeamento de situações de violência e bullying;
  • ações preventivas contra drogas;
  • fortalecimento das relações interpessoais nas escolas.

Outras prefeituras também contrataram

Além de Campo Grande, Dourados e Nova Alvorada do Sul, a empresa fechou contratos com diversos municípios sul-mato-grossenses:

  • Miranda – R$ 1 milhão;
  • Ladário – quatro contratos que totalizam cerca de R$ 1,2 milhão;
  • Ivinhema – R$ 874,1 mil;
  • São Gabriel do Oeste – R$ 640,1 mil;
  • Caarapó – R$ 589,3 mil;
  • Deodápolis – R$ 474,8 mil;
  • Bonito – R$ 357,6 mil;
  • Sonora – R$ 302,2 mil;
  • Porto Murtinho – R$ 249,9 mil;
  • Nova Alvorada do Sul – R$ 256,2 mil;
  • Anaurilândia – R$ 207,6 mil.
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Os contratos foram celebrados por inexigibilidade de licitação, modalidade prevista na legislação para situações específicas em que há inviabilidade de competição. A investigação do Gaeco busca apurar se esse instrumento teria sido utilizado de forma irregular para direcionar as contratações.

Dinheiro vivo apreendido

Durante o cumprimento dos mandados da Operação Gutenberg, os investigadores apreenderam R$ 69.795 em dinheiro, além de 907 dólares em espécie.

De acordo com o Gaeco, parte das cédulas encontradas ainda estava lacrada pelo Banco Central.

As investigações também apuram possíveis pagamentos de vantagens indevidas a agentes públicos, direcionamento de procedimentos administrativos e atuação coordenada para favorecer a empresa nas contratações.

Investigação continua

Até o momento, o Ministério Público não divulgou denúncia criminal. Os investigados terão assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa durante o andamento do processo.

A Operação Gutenberg continua analisando documentos, contratos, movimentações financeiras e comunicações apreendidas para verificar a extensão do suposto esquema e identificar eventual participação de agentes públicos e particulares nas contratações realizadas em Mato Grosso do Sul.

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