A decisão do presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, de oficializar o ex-deputado estadual Capitão Contar como pré-candidato ao Senado por Mato Grosso do Sul contrariou a indicação pública do ex-presidente Jair Bolsonaro e expôs uma divergência interna que pode aprofundar a divisão do bolsonarismo no Estado.
Mesmo após Bolsonaro declarar, por meio de um bilhete divulgado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que seu candidato ao Senado seria o deputado federal Marcos Pollon (PL-MS), a direção nacional do partido optou por outro caminho. Nesta quarta-feira (1º), Valdemar anunciou Capitão Contar como o nome da legenda para a disputa ao Senado em 2026, afirmando que o ex-parlamentar terá o apoio de toda a estrutura partidária.
A decisão representa um revés para Pollon, que vinha percorrendo Mato Grosso do Sul apresentando-se como o candidato escolhido por Bolsonaro. O deputado sustentava que não havia plano alternativo e reforçava, em entrevistas e nas redes sociais, que cumpriria a missão recebida do ex-presidente.
Nos bastidores, entretanto, já circulavam informações de que a direção nacional avaliava pesquisas eleitorais antes de definir o nome da legenda. Com o anúncio de Capitão Contar, o PL sinaliza que priorizou critérios estratégicos do partido, mesmo diante da manifestação pública de Bolsonaro.
Analistas políticos avaliam que o episódio pode abrir espaço para um racha entre grupos ligados ao ex-presidente e a cúpula nacional do PL em Mato Grosso do Sul, especialmente entre os apoiadores de Pollon e os aliados de Capitão Contar e do ex-governador Reinaldo Azambuja, que deve compor a principal chapa da legenda no Estado.
Ao anunciar a escolha, Valdemar Costa Neto não fez qualquer referência ao apoio manifestado anteriormente por Bolsonaro a Pollon. Já Capitão Contar agradeceu a confiança da direção nacional e afirmou que trabalhará para fortalecer a bancada do partido no Congresso Nacional.
O episódio evidencia uma das primeiras divergências públicas entre a direção nacional do PL e a posição defendida por Jair Bolsonaro na formação das candidaturas para as eleições de 2026, colocando em teste a unidade do partido em Mato Grosso do Sul nos próximos meses.
























