Prefeito de Cuiabá afirma que adversários já antecipavam a operação da PF e alerta para risco de investigação ser transformada em munição eleitoral
A Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal para investigar o acordo de R$ 308 milhões envolvendo o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi, ganhou um novo ingrediente político nesta sexta-feira (7). O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que o suposto vazamento de informações sigilosas antes da ação policial pode ter comprometido a investigação e colocado em xeque a seriedade do procedimento.
Segundo Abilio, o que mais chama sua atenção não é a operação em si, mas o fato de adversários políticos de Mauro Mendes (União) já estarem falando publicamente sobre a ação antes de sua deflagração.
Entre os nomes citados pelo prefeito estão o senador Jayme Campos (União) e o candidato ao Senado Pedro Taques (PSB). Abilio afirmou que ambos teriam antecipado que a operação ocorreria e até mencionado uma possível data.
“Acredito que contaminou o processo da investigação, prejudicou um pouco o procedimento deles”, afirmou.
Operação de R$ 308 milhões atinge núcleo político de Mauro Mendes
A Heritage investiga suspeitas relacionadas ao acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a Oi, incluindo a negociação de créditos e a destinação dos recursos pagos pelo Estado.
A operação atingiu diretamente o ambiente político de Mauro Mendes, que é candidato ao Senado, e de Fábio Garcia (União), candidato a vice-governador.
A ofensiva da PF ocorre justamente em meio à disputa eleitoral, aumentando o peso político das investigações e abrindo uma nova frente de confronto entre grupos que disputam espaço no cenário eleitoral de Mato Grosso.
Abilio, porém, foi cauteloso ao falar sobre eventual uso político da operação.
“Eu não posso afirmar, não tenho conhecimento sobre isso. Só acho que prejudicou muito a seriedade da operação”, declarou.
“Contamina o processo todo”
Para o prefeito, quando informações protegidas de uma investigação chegam a agentes políticos e são posteriormente expostas publicamente, o prejuízo ultrapassa a esfera eleitoral.
Abilio afirmou que a divulgação antecipada pode comprometer justamente o elemento surpresa de uma operação policial e afetar a própria condução das diligências.
“Quando você passa para agentes políticos a data de quando vai acontecer, como vai acontecer as informações, e esse agente político, ao invés de guardar para si essa informação, torna público e quer ser a pessoa que propaga a informação, contamina o processo todo”, disse.
A declaração coloca no centro do debate uma pergunta que pode ganhar força nos próximos dias: como informações supostamente sigilosas sobre uma operação da Polícia Federal chegaram ao conhecimento de políticos antes da ação ser oficialmente deflagrada?
Até o momento, não há comprovação pública de que Jayme Campos ou Pedro Taques tenham recebido informações sigilosas da investigação. A crítica de Abilio se baseia na antecipação pública que, segundo ele, ocorreu antes da operação.
Abilio alerta para “tribunal eleitoral” antes da Justiça
O prefeito também fez uma crítica mais ampla ao impacto de operações policiais durante períodos eleitorais. Para ele, uma investigação pode produzir forte desgaste político antes mesmo de existir uma conclusão judicial sobre as acusações.
Ao mencionar episódios envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Abilio afirmou que operações realizadas em momentos eleitorais podem alimentar narrativas políticas que permanecem mesmo quando os processos posteriormente não resultam em condenações.
“Durante o período eleitoral vão lá, fazem a operação, cria aquele discurso, cria aquela narrativa, aí depois passam as eleições, o processo é arquivado, não vira nada e tudo que fizeram de acusação morre”, afirmou.
Na avaliação do prefeito, o eleitor precisa separar investigação, acusação e condenação.
“O eleitor hoje está mais consciente sobre tudo isso e vai analisar bem essa questão das eleições desse ano”, disse.
Heritage amplia tensão no tabuleiro eleitoral de Mato Grosso
A Operação Heritage não mexeu apenas com uma investigação envolvendo R$ 308 milhões. A ação da PF também atingiu um cenário político já marcado por disputas internas, alianças e movimentos antecipados para as eleições.
Com Mauro Mendes mirando uma vaga no Senado e Fábio Garcia inserido na disputa pelo Governo do Estado, qualquer investigação envolvendo o grupo político ganha potencial para provocar repercussões eleitorais.
Agora, além das suspeitas investigadas pela Polícia Federal, surge uma segunda questão: quem sabia da operação antes que ela acontecesse e como essa informação teria circulado no meio político?
Enquanto a investigação segue, a guerra política em Mato Grosso ganha um novo capítulo desta vez, com a própria antecipação da Operação Heritage entrando no centro da disputa.



















