Médico denuncia presidente da Câmara por suposto uso de servidor público em ação particular

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Representação encaminhada ao Ministério Público e à Câmara Municipal aponta que diretor administrativo teria atuado como advogado particular do vereador durante o expediente

Uma denúncia por suposta improbidade administrativa colocou o presidente da Câmara Municipal de São Gabriel do Oeste, vereador Valdecir Malacarne, no centro de uma representação encaminhada ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e à Mesa Diretora do Legislativo.

A denúncia foi apresentada pelo médico Osvaldo Gois Figueiredo, que pede a apuração de possíveis irregularidades envolvendo também o diretor administrativo da Câmara, Edgar Dutra Martos.

Segundo a representação, Edgar, que ocupa cargo comissionado no Legislativo com jornada prevista de 40 horas semanais, teria prestado serviços advocatícios particulares para Valdecir durante o horário de expediente da Câmara.

As informações constam de reportagem publicada pelo site Edição MS, utilizada como fonte para esta matéria.

De acordo com o documento, Edgar atua como advogado de Valdecir em uma ação de indenização por danos morais movida pelo presidente da Câmara contra o médico Osvaldo Gois Figueiredo, que tramita no Juizado Especial Cível de São Gabriel do Oeste.

A representação cita registros do sistema eSAJ, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), que apontariam a realização de atos processuais em horários coincidentes com o expediente previsto para o diretor administrativo.

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Entre os registros mencionados estão o protocolo da petição inicial, em 24 de março, às 14h20; uma manifestação processual, em 8 de junho, às 8h07; a juntada de procuração, em 14 de julho, às 15h26; e uma impugnação à contestação, em 15 de julho, às 16h21.

A denúncia também aponta que Edgar teria participado presencialmente de uma audiência de conciliação, instrução e julgamento no Fórum de São Gabriel do Oeste, em 14 de julho, às 17h20.

Na avaliação apresentada pelos advogados Alexandre Barros Padilhas e Alice Adolfa Miranda Plöger Zeni, as circunstâncias precisam ser investigadas por possível violação aos princípios que regem a administração pública, entre eles legalidade, impessoalidade e moralidade.

A representação sustenta que, caso os fatos sejam confirmados, teria ocorrido utilização de um servidor público e de sua jornada remunerada pelo município em benefício de uma demanda particular do presidente da Câmara.

Pedido de investigação

Entre as providências solicitadas ao Ministério Público está a abertura de inquérito civil para investigar os fatos. O denunciante também pede que seja requisitado à Câmara Municipal o espelho de ponto e os registros de frequência de Edgar Dutra Martos referentes às datas apontadas na representação.

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O documento ainda solicita que, caso sejam constatadas irregularidades, o Ministério Público avalie o ajuizamento de ação civil pública por improbidade administrativa.

A denúncia menciona possíveis sanções previstas na legislação, incluindo perda da função pública, suspensão dos direitos políticos e eventual ressarcimento aos cofres públicos, caso sejam comprovados prejuízos e responsabilidades.

Pedido de cassação

Além da representação encaminhada ao MPMS, Osvaldo Gois Figueiredo protocolou uma representação popular junto à Câmara Municipal de São Gabriel do Oeste.

Nesse procedimento, o médico pede a perda do mandato eletivo e da presidência de Valdecir Malacarne.

A defesa do denunciante também solicita que o Ministério Público acompanhe o andamento do pedido apresentado ao Legislativo e que haja articulação entre os órgãos para a apuração dos fatos.

Até o momento, as acusações descritas na representação constituem alegações que ainda dependem de investigação e comprovação pelas autoridades competentes. A eventual responsabilização dos envolvidos somente poderá ocorrer após a apuração dos fatos e a garantia do direito de defesa.

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