Operação Reduto

PF investiga vazamento após Operação Reduto atingir presidente da Assembleia de RO

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Suspeita é de que investigados tenham sido avisados um dia antes da ofensiva da Polícia Federal. Esquema apura fraude em licitações, desvio de dinheiro público, rachadinha e movimentações superiores a R$ 9 milhões.

A Operação Reduto, da Polícia Federal, ganhou um novo e preocupante desdobramento. Além de investigar um suposto esquema de fraude em licitações, desvio de recursos públicos e prática de “rachadinha” na Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero), a PF agora apura se informações sigilosas da operação foram vazadas aos investigados antes do cumprimento dos mandados.

A suspeita, confirmada pelo Ministério Público de Rondônia (MP-RO), é de que integrantes do grupo investigado tenham sido alertados cerca de um dia antes da deflagração da operação, realizada na quarta-feira (9). Se o vazamento for comprovado, a investigação poderá alcançar novos envolvidos, incluindo eventuais agentes públicos responsáveis por quebrar o sigilo da ação policial.

O episódio levanta dúvidas sobre a segurança das informações em uma investigação que mira o destino de milhões de reais em recursos públicos.

Operação chegou ao gabinete da Presidência da Assembleia

A ofensiva da Polícia Federal cumpriu 19 mandados de busca e apreensão, sendo nove em Ariquemes, oito em Porto Velho e dois em Manaus. A Justiça também autorizou a prisão de dois investigados, o afastamento de 11 servidores públicos e o bloqueio de bens, contas bancárias e criptoativos até o limite de R$ 9 milhões.

Entre os principais alvos está o presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia, deputado estadual Alex Redano (Republicanos). Policiais federais realizaram buscas no gabinete da Presidência da Casa, na Secretaria-Geral da Assembleia e em imóveis ligados ao parlamentar em Porto Velho e Ariquemes.

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Documentos, computadores, celulares, mídias digitais e outros materiais foram apreendidos e serão periciados para identificar a extensão do suposto esquema.

Coaf identificou movimentações incompatíveis

As investigações começaram em 2024 após relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontarem movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada dos investigados.

Segundo a Polícia Federal, uma empresa sediada em Manaus, contratada pelo poder público em Rondônia, passou a ser monitorada após apresentar operações financeiras consideradas atípicas.

Com o aprofundamento das investigações, os policiais identificaram movimentações superiores a R$ 9 milhões que, segundo a PF, não encontram justificativa na capacidade financeira declarada pelos envolvidos.

Duas frentes de atuação

A investigação aponta que o grupo atuava em pelo menos duas frentes distintas.

A primeira seria responsável pelo direcionamento de licitações e contratos públicos no município de Ariquemes, comprometendo a concorrência e, consequentemente, a correta aplicação do dinheiro do contribuinte.

A segunda frente investigada envolve um suposto esquema de “rachadinha” dentro da Assembleia Legislativa de Rondônia. Conforme a Polícia Federal, servidores comissionados devolveriam parte ou até mesmo a totalidade dos salários a agentes políticos ou operadores da organização.

Caso confirmada, a prática configura desvio de recursos públicos e pode resultar em responsabilização criminal e administrativa dos envolvidos.

Vazamento pode comprometer investigação

A nova linha de investigação é considerada estratégica pela Polícia Federal.

Caso seja comprovado que informações da operação chegaram antecipadamente aos investigados, o vazamento pode ter permitido destruição de provas, ocultação de documentos, movimentação de patrimônio e alinhamento de versões entre os suspeitos.

A descoberta também poderá revelar a existência de uma rede de proteção capaz de comprometer operações policiais de grande porte.

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Até o momento, a PF não divulgou quem pode ter tido acesso às informações sigilosas nem se já há suspeitos identificados pelo possível vazamento.

Justiça bloqueia patrimônio

Além das prisões e afastamentos, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 9 milhões em bens, contas bancárias e criptoativos dos investigados.

Durante o cumprimento dos mandados, policiais federais também apreenderam dinheiro em espécie em Manaus, valor que será submetido à perícia para verificar eventual relação com os fatos investigados.

O que dizem os citados

A Prefeitura de Ariquemes informou que está colaborando com as investigações e fornecendo todos os documentos solicitados pelas autoridades. Segundo a administração municipal, até o momento não existe conclusão oficial apontando irregularidades envolvendo a prefeitura.

A Assembleia Legislativa de Rondônia afirmou que acompanha o caso e permanece à disposição da Polícia Federal e do Ministério Público para prestar todos os esclarecimentos necessários. A Casa também declarou que seus procedimentos administrativos seguem normas de controle, fiscalização e transparência.

O presidente da Assembleia, deputado Alex Redano, foi procurado, mas não havia se manifestado até a publicação desta reportagem. A empresa citada nas investigações também não apresentou posicionamento.

Investigação segue em andamento

A Polícia Federal afirma que esta etapa da Operação Reduto busca aprofundar a coleta de provas, identificar todos os beneficiários do suposto esquema e esclarecer o destino dos recursos públicos sob investigação.

O caso permanece sob sigilo, e todos os investigados têm assegurados os direitos ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência até eventual condenação definitiva pela Justiça.

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