O Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do Paranoá teve as atividades suspensas após uma inspeção da Vigilância Sanitária identificar uma série de irregularidades que colocam em risco a saúde de servidores e da população atendida. A interdição interrompe temporariamente o funcionamento de uma das principais portas de entrada da assistência social no Distrito Federal, responsável por cerca de 1,4 mil atendimentos mensais.
O relatório da fiscalização aponta um cenário de extrema degradação, com fiação elétrica exposta, mofo em diversos ambientes, reservatórios de água sem proteção adequada e risco de contaminação do sistema de abastecimento, o que levou à determinação de bloqueio imediato da distribuição de água na unidade.
Segundo o Sindicato dos Servidores da Assistência Social e Cultural do Distrito Federal (Sindsasc), a situação chegou ao limite quando um saruê foi encontrado morto dentro da caixa d’água do prédio. Os servidores também relataram a presença frequente de ratos, escorpiões e lacraias, além de urina de animais, móveis revirados e forte odor ao chegarem para trabalhar.
Problemas antigos
Embora a Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes-DF) informe que o fechamento ocorreu para a realização de uma manutenção programada, o Sindsasc afirma que os problemas estruturais vêm sendo denunciados desde 2025.
De acordo com a entidade, a deterioração do prédio ocorreu de forma gradual. Primeiro, banheiros foram interditados; depois surgiram infiltrações que provocaram a queda de parte do forro, além de sucessivas falhas no sistema de climatização e outras deficiências estruturais.
Outro ponto questionado é o fato de a unidade ter passado por uma reforma em 2023. Para o presidente do Sindsasc, Clayton Avelar, a rápida deterioração da estrutura levanta dúvidas sobre a qualidade dos serviços executados durante a obra.
Atendimento suspenso
Com a interdição, milhares de moradores do Paranoá, Paranoá Parque e comunidades rurais da região ficam sem acesso direto aos serviços oferecidos pelo CRAS.
A unidade é responsável por atendimentos relacionados à inscrição e atualização do Cadastro Único (CadÚnico), acesso ao Bolsa Família, acompanhamento de famílias em situação de vulnerabilidade social e encaminhamento para outros benefícios e programas assistenciais.
A Sedes informou que os servidores passarão a atuar em regime de trabalho remoto durante o período de manutenção e que os atendimentos agendados serão remanejados para unidades próximas. A pasta prevê que o funcionamento do CRAS seja retomado ainda neste semestre.
Problema pode atingir outras unidades
Para o Sindsasc, a situação do CRAS do Paranoá evidencia uma crise mais ampla na rede de assistência social do Distrito Federal.
O sindicato afirma que outras unidades também apresentam problemas estruturais. Em Planaltina, por exemplo, há registros de água considerada imprópria para consumo. No Gama, uma unidade reformada apresenta falhas de acessibilidade. Já em Ceilândia e São Sebastião, os trabalhadores relatam necessidade de reparos urgentes e condições inadequadas de funcionamento.
A entidade defende que a solução passa pelo aumento dos investimentos na assistência social, recomposição do orçamento da área e nomeação de novos servidores aprovados em concurso público para reduzir o déficit de profissionais na rede.
A interdição do CRAS do Paranoá expõe a precariedade da infraestrutura de equipamentos públicos responsáveis pelo atendimento de famílias em situação de vulnerabilidade e reforça o debate sobre a necessidade de investimentos permanentes para garantir a continuidade e a qualidade dos serviços socioassistenciais no Distrito Federal.




















