Campo Grande das Maravilhas

Campo Grande e o Vale Tudo da Tecnologia: Inovação de fachada e o desfile da terceirização

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Enquanto o resto do país discute inteligência artificial e cidades inteligentes, Campo Grande parece apostar no “carnaval da tecnologia pública”, onde inovação virou figurino de festa e a modernização dos serviços é só um enredo mal ensaiado.

Nos bastidores, a AGETEC – aquela que deveria ser o cérebro digital do município – perdeu o pouco de autonomia que restava, depois que a prefeita Adriane Lopes resolveu passar a chave do setor para a SEMADI, secretaria mais famosa por carimbar papel do que por entender de nuvem, sistemas ou qualquer coisa remotamente ligada ao século XXI. E assim, a agência que nasceu para inovar foi confinada ao papel de assessoria técnica da burocracia – tudo em nome da eficiência, claro.

Mas não para por aí: a missão de comandar a tecnologia da cidade foi dada a um expert do setor… sucroalcooleiro. Porque, em Campo Grande, aparentemente, se você entende de cana, você entende de cloud. E de inovação, claro. O único problema é que a cidade não planta açúcar, mas coleciona sistemas que não entregam nada além de dor de cabeça.

E como toda boa trama de novela, tem o ingrediente político: dizem que o diretor-presidente já ensaia passos de candidato para o próximo ano. Enquanto isso, o comando operacional ficou nas mãos de um CEO recém-criado – título chique para o profissional que ficou famoso por participar de um fracasso retumbante na implantação de sistemas de saúde municipal. O tipo de currículo que, na lógica local, parece credencial para assumir cargos estratégicos.

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No meio desse samba, até há quem tente organizar a bagunça: criam-se portarias, decretos, resoluções e grupos de trabalho, quase todos para tentar dar um verniz de ordem ao caos institucional. Mas a sensação geral é de que as únicas coisas que avançam são os normativos – e não a tecnologia em si.

Quando aparece alguma “novidade”, como a extensão do sistema de gestão de documentos para a Secretaria de Assistência Social, é bom não se empolgar: na verdade, trata-se de uma solução antiga com roupa nova, iniciativa muito mais da secretaria que precisa se virar do que de qualquer lampejo da AGETEC.

E o grande marco de 2025? Um esboço de Plano Diretor de Tecnologia da Informação Computacional (PDTIC), que, sejamos honestos, serve mais para enfeitar o mês de aniversário de Campo Grande do que para orientar o futuro digital da cidade. Nada mais é do que um replay do plano antigo, só que rebatizado e costurado às pressas – não para resolver problemas, mas para garantir palmas no evento comemorativo. Consulta pública, escuta aos servidores ou discussão séria? Nem pensar! Aqui, o importante é não fazer feio na foto oficial.

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Como cereja do bolo, cresce o apetite pela terceirização: a entrega de tudo o que é TI para as mesmas empresas de sempre, aquelas que já engordam contratos com prefeituras e Estado. O resultado? Tecnologia a serviço dos interesses empresariais, enquanto a população e os servidores seguem no modo “paciência”.

Diante desse cenário, fica o recado: Campo Grande precisa urgentemente discutir, com gente séria e técnica, como impedir que a tecnologia municipal vire apenas peça de decoração de festa – ou moeda de troca política – e volte a ser, de fato, ferramenta de transformação e serviço público de verdade. Porque, por enquanto, o show da inovação segue no improviso.

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