A possível decisão do presidente regional do PL em Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, de não seguir a indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro para o Senado tem provocado desconforto entre aliados bolsonaristas e ampliado as divergências internas na legenda.
Mesmo após Bolsonaro declarar publicamente que o deputado federal Marcos Pollon é seu nome de preferência para a disputa de uma das vagas ao Senado em 2026, Reinaldo tem sinalizado que a definição da chapa passará por pesquisas qualitativas e quantitativas, critério que pode favorecer outros nomes do partido.
A posição é vista por apoiadores de Pollon como uma resistência à liderança política de Bolsonaro dentro do PL sul-mato-grossense. O deputado chegou a divulgar uma carta escrita pelo ex-presidente, na qual Bolsonaro o apresenta como seu pré-candidato ao Senado, tratando a escolha como uma definição já consolidada.
Nas redes sociais, Pollon afirmou que seguirá a orientação de Bolsonaro e classificou sua candidatura como resultado de uma determinação do ex-presidente. A declaração reforçou a expectativa de que o parlamentar teria prioridade na composição da chapa.
Entretanto, o cenário defendido por Reinaldo Azambuja é diferente. O ex-governador tem reiterado que sua própria candidatura ao Senado está definida, mas que a segunda vaga dependerá do desempenho dos postulantes nas pesquisas eleitorais. Nesse contexto, o ex-deputado estadual Capitão Contar aparece como um dos principais concorrentes internos, beneficiado pelo capital político acumulado após chegar ao segundo turno da disputa pelo Governo do Estado em 2022.
Críticos da postura de Reinaldo afirmam que o dirigente regional do PL corre o risco de abrir um desgaste desnecessário com a base bolsonarista ao ignorar uma orientação direta de Bolsonaro. Para esse grupo, a decisão pode ser interpretada como uma demonstração de autonomia política que contraria os interesses do principal líder da direita brasileira.
Outro fator que alimenta a polêmica é o histórico de embates entre Pollon e Reinaldo. Em diferentes momentos, o deputado fez críticas duras ao ex-governador, tornando ainda mais improvável uma composição harmoniosa entre os dois em uma mesma chapa.
Nos bastidores, lideranças partidárias avaliam que a disputa pela segunda vaga ao Senado deverá ser um dos temas mais sensíveis do PL em Mato Grosso do Sul nos próximos meses. Enquanto Bolsonaro tenta fortalecer seus aliados mais próximos, Reinaldo busca preservar sua influência regional e manter o controle sobre as definições eleitorais do partido.
O impasse expõe uma disputa de poder dentro da legenda e pode testar o peso político de Bolsonaro nas decisões estaduais do PL. Caso Pollon fique fora da chapa principal, a decisão será interpretada por muitos bolsonaristas como uma derrota da vontade do ex-presidente dentro do próprio partido.
Com informaçoes site O Jacare





















