“Levanta, cara”: morte de paciente no Hospital de Base expõe colapso e desumanização na saúde do DF

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A morte de Rodrigo Resende do Prado, de 46 anos, no último domingo (12), dentro do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), transformou-se em mais um capítulo da crise que assombra a saúde pública do Distrito Federal. Para a família, Rodrigo não morreu apenas em decorrência de seu estado de saúde: ele teria sido vítima da demora no atendimento, da falta de sensibilidade e de um sistema que, segundo denunciam, deixou de enxergar o paciente como prioridade. 

Paciente renal crônico e frequentador da unidade desde o ano passado, Rodrigo procurou o hospital apresentando intensa falta de ar. O que deveria resultar em atendimento imediato, segundo seus familiares, acabou se transformando em uma longa espera. 

Sua irmã, Bianca Resende, afirma que foi preciso fazer um verdadeiro “escândalo” para que Rodrigo fosse encaminhado à triagem. Mesmo com dificuldade para respirar, ela relata que a equipe informou que seus sinais vitais estavam dentro da normalidade e orientou que ele aguardasse sentado, alegando que outros pacientes também esperavam atendimento. 

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A frase que revoltou a família 

O momento mais chocante, segundo testemunhas, ocorreu quando Rodrigo desabou na recepção do hospital. 

De acordo com familiares, antes de perceberem que ele havia sofrido uma parada cardiorrespiratória, um segurança teria gritado: 

“Levanta, cara.” 

A frase passou a simbolizar, para a família, aquilo que classificam como a completa falta de humanidade no atendimento. 

Somente após perceberem a gravidade da situação, equipes médicas iniciaram as manobras de reanimação, mas Rodrigo não resistiu. 

Protocolos sob questionamento 

Em nota oficial, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) afirmou que o atendimento seguiu os protocolos técnicos e informou ter aberto uma sindicância para apurar todos os fatos. 

A explicação, porém, está longe de convencer os familiares. 

O irmão da vítima, Renato Resende, afirma que, além da perda, a família enfrentou o silêncio da instituição. 

Segundo ele, não houve acolhimento nem contato direto após o ocorrido. 

Para os parentes, não basta afirmar que protocolos foram cumpridos. Eles querem saber se os procedimentos adotados eram compatíveis com o quadro apresentado por Rodrigo e se uma intervenção mais rápida poderia ter evitado a tragédia. 

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Saúde sob pressão 

O caso acontece em um momento em que a rede pública de saúde do Distrito Federal enfrenta sucessivas denúncias de superlotação, demora no atendimento e falhas estruturais. 

Embora as causas da morte ainda sejam objeto de investigação, a repercussão do episódio aumenta a pressão sobre o Iges-DF e sobre o Governo do Distrito Federal, que agora terão de responder não apenas às perguntas da família, mas também às cobranças da sociedade por um atendimento mais eficiente e humanizado. 

Caso será investigado 

A família informou que levará o caso ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), solicitando investigação sobre uma possível negligência no atendimento. 

Após a repercussão, a governadora em exercício, Celina Leão, e o secretário de Saúde, Juracy Cavalcante, determinaram a apuração do caso, incluindo a análise do tempo de espera, da classificação de risco e de toda a assistência prestada ao paciente.

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