CLDF debate colapso do sistema prisional do DF e cobra soluções para superlotação e violações de direitos

Foto: Andressa Anholete/Agência CLDF

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A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) foi palco, na última quinta-feira (28), de um amplo debate sobre a crise enfrentada pelo sistema prisional da capital. A Comissão Geral, proposta pelo deputado distrital Fábio Félix, reuniu parlamentares, representantes do Governo do Distrito Federal, órgãos de fiscalização, defensores públicos, movimentos sociais e familiares de detentos para discutir denúncias de superlotação, precariedade no atendimento à saúde e falhas nas políticas de ressocialização. 

O encontro expôs o agravamento das condições dentro dos presídios do DF e transformou o plenário da CLDF em um espaço de confronto entre denúncias de violações de direitos humanos e a defesa das medidas adotadas pelo governo para administrar o sistema penitenciário. 

Debate escancara crise estrutural 

Durante a sessão, deputados e representantes da sociedade civil apresentaram relatos sobre a situação crítica das unidades prisionais. Segundo dados levados ao debate, a população carcerária do Distrito Federal saltou de aproximadamente 15 mil presos em 2019 para cerca de 18 mil em 2026. 

O aumento da demanda agravou a superlotação em diversas unidades. Um dos exemplos mais citados foi o da Penitenciária do Distrito Federal I (PDF I), onde, segundo denúncias apresentadas na audiência, celas projetadas para oito internos chegam a abrigar até 27 pessoas. 

Para o deputado Fábio Félix, a situação demonstra o colapso de um sistema incapaz de garantir dignidade mínima aos detentos e de promover qualquer política efetiva de ressocialização. 

“O sistema prisional do DF vive uma crise humanitária que não pode mais ser ignorada”, afirmou o parlamentar durante a discussão. 

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Saúde precária domina denúncias 

Grande parte do debate foi dominada pelas denúncias envolvendo o atendimento de saúde dentro das unidades prisionais. A Comissão de Direitos Humanos da CLDF informou que o sistema carcerário lidera o número de reclamações recebidas pelo órgão, ultrapassando 2 mil denúncias anuais. 

Familiares de presos relataram casos de internos convivendo com doenças sem atendimento adequado, falta de medicamentos e dificuldades para conseguir escoltas médicas. Também foram denunciadas condições insalubres em celas sem ventilação e com excesso de pessoas. 

Bruna Oliveira, integrante do coletivo Mães e Esposas em Luta (Mel), cobrou medidas humanitárias para presos em estado grave de saúde e criticou a dificuldade na concessão de prisão domiciliar para detentos terminais. 

“Há pessoas morrendo dentro do sistema sem acesso ao mínimo de dignidade”, declarou. 

Ressocialização e reincidência entram em pauta 

Outro tema central do debate foi o fracasso das políticas de ressocialização. A coordenadora da Comissão de Direitos Humanos da CLDF, Keka Bagno, afirmou que o modelo atual contribui diretamente para o aumento da reincidência criminal no Distrito Federal. 

Segundo ela, a taxa de reincidência no DF supera 31%, uma das mais altas do país, evidenciando que o encarceramento em massa, sem investimento em educação e reinserção social, não tem produzido resultados positivos para a segurança pública. 

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Representantes de familiares criticaram o que chamaram de transformação dos presídios em “depósitos humanos”, defendendo maior investimento em educação, qualificação profissional e assistência psicológica. 

Governo defende avanços no sistema 

Representando o Governo do Distrito Federal, o secretário de Administração Penitenciária, Wenderson Souza e Teles, reconheceu as dificuldades enfrentadas pelo sistema, mas afirmou que a gestão atual tem promovido melhorias importantes. 

Segundo o secretário, cerca de 88 mil atendimentos de saúde foram realizados no último ano nas unidades prisionais do DF. Ele também destacou o aumento de 42% no efetivo de policiais penais desde 2021 e afirmou que o reforço no quadro tem permitido ampliar o acesso a serviços dentro dos presídios. 

Wenderson também informou que empresas responsáveis pela alimentação dos internos sofreram penalidades administrativas após irregularidades identificadas pela pasta. 

Direitos humanos e segurança pública 

A defensora pública Priscila da Silva Rodrigues Moura reforçou, durante o debate, que a garantia de direitos humanos no sistema prisional não representa defesa da criminalidade, mas sim o cumprimento da Constituição Federal. 

Ela destacou que o Estado tem obrigação legal de assegurar condições dignas às pessoas privadas de liberdade e alertou que a degradação do sistema prisional impacta diretamente a segurança pública e a reincidência criminal. 

A Comissão Geral terminou sem definição imediata de medidas concretas, mas ampliou a pressão política sobre o Governo do Distrito Federal e reforçou a cobrança por mudanças estruturais no sistema penitenciário da capital. 

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