Investigação sobre rombo bilionário no BRB e no Banco Master avança no Congresso e pressiona governo do DF por explicações
O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) anunciou nesta semana que alcançou as 171 assinaturas necessárias para protocolar o pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o chamado “Caso Master”, um esquema de fraudes financeiras que envolve o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). As suspeitas apontam para a aquisição, pelo banco público do Distrito Federal, de títulos inexistentes ou sem lastro, em uma operação que pode ter causado prejuízos bilionários aos cofres públicos.
Segundo Rollemberg, o rombo total sob investigação pode chegar a R$ 12,2 bilhões, valor apurado no âmbito da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Apenas no BRB, o impacto direto já ultrapassaria R$ 5 bilhões, referentes a ativos fictícios que não foram recompostos.
Da denúncia à CPI
Ex-governador do Distrito Federal, Rollemberg afirma que foi um dos primeiros a levantar publicamente a necessidade de apuração do caso, ainda quando surgiram os indícios iniciais das irregularidades. De acordo com o parlamentar, denúncias foram encaminhadas pelo PSB e por lideranças políticas, como Ricardo Cappelli, ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal e ao Banco Central, antes mesmo da liquidação do Banco Master.
Para o deputado, a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, anunciada por cerca de R$ 2 bilhões, não foi uma operação de mercado comum, mas uma estratégia para mascarar prejuízos já consolidados. A avaliação é de que a incorporação do banco privado serviria para “dar lastro” artificial a papéis que, na prática, não tinham valor real.
“O que está em jogo é saber quem autorizou, quem se beneficiou e quem se omitiu diante de alertas claros dos órgãos de controle”, afirmou Rollemberg.
Questionamentos ao GDF
O caso também acirra o debate político no Distrito Federal. Rollemberg tem questionado diretamente a postura do governador Ibaneis Rocha (MDB), que defendeu publicamente a operação de aquisição do Banco Master pelo BRB mesmo após manifestações de preocupação por parte de autoridades monetárias.
Para o deputado, é indispensável esclarecer se houve pressão política sobre a diretoria do banco público e se decisões técnicas foram substituídas por interesses externos à governança financeira.
Risco previdenciário e impacto social
Um dos pontos considerados mais sensíveis pelo parlamentar é a possível exposição de fundos de pensão estaduais e municipais aos ativos fraudulentos. Caso confirmada, a prática pode ter colocado em risco recursos previdenciários de servidores públicos, ampliando o alcance social do escândalo.
“A corrupção não é um problema abstrato. Ela tira dinheiro da saúde, da educação, da segurança e pode comprometer aposentadorias. Não pode haver tolerância com esse tipo de prática”, declarou.
Próximos passos no Congresso
Embora o número mínimo de assinaturas já tenha sido atingido, Rollemberg afirma que continuará coletando apoios até o fim do recesso parlamentar, com o objetivo de fortalecer politicamente o pedido. A expectativa é de que o requerimento seja protocolado formalmente no retorno das atividades legislativas, em 1º de fevereiro.
Entre as condições defendidas pelo deputado para a instalação da CPI estão:
- instalação imediata após diálogo com o presidente da Câmara, Hugo Motta;
- escolha de presidente e relator independentes, sem vínculos com o Banco Master;
- foco na responsabilização criminal e cível dos envolvidos, incluindo o sequestro de bens para mitigar o prejuízo ao patrimônio público.
Paralelamente, setores da oposição articulam uma CPMI, que reuniria deputados e senadores. Segundo parlamentares envolvidos, a iniciativa mista já ultrapassaria 240 assinaturas, o que amplia a pressão política por uma investigação aprofundada.
Um cofre público em xeque
Nos bastidores do Congresso, o Caso Master já é tratado como um dos episódios mais graves da história recente do sistema financeiro nacional envolvendo um banco público regional. A suspeita central é simples e, ao mesmo tempo, devastadora: recursos públicos teriam sido trocados por papéis sem valor real, e, diante do colapso da operação, a solução aventada foi usar ainda mais dinheiro público para tentar encobrir o erro inicial.
Com a CPI prestes a sair do papel, o caso deixa de ser apenas um tema técnico-financeiro e passa a ocupar o centro do debate político nacional, colocando em xeque a governança do BRB, a atuação do Governo do Distrito Federal e a eficácia dos mecanismos de controle do sistema bancário brasileiro.
























