O que antes parecia inegociável agora virou aliança estratégica. O ex-deputado estadual e ex-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, Renan Barbosa Contar, o Capitão Contar, decidiu se filiar ao Partido Liberal (PL) e deve disputar o Senado com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro. A mudança marca uma reviravolta completa na trajetória política de quem, até pouco tempo atrás, se apresentava como o símbolo da “nova política” e da luta contra o sistema.
Contar, que durante seu mandato na Assembleia Legislativa (ALEMS) chegou a protocolar um pedido de impeachment contra o então governador Reinaldo Azambuja (PL), agora se dispõe a dividir o mesmo palanque com ele. O militar, que denunciava Azambuja como “chefe de organização criminosa”, hoje o trata como parceiro estratégico para “a direita avançar” em 2026.
A virada de discurso é tamanha que causa estranheza até entre seus antigos apoiadores, que o viam como um outsider coerente, guiado por princípios éticos e pelo combate à corrupção.
Do combate à conciliação
Em 2019, Capitão Contar ganhou projeção política ao desafiar o poder estabelecido dentro da ALEMS. Sua postura combativa contra Azambuja e os governos tucanos lhe rendeu o rótulo de parlamentar independente e até de “Bolsonaro sul-mato-grossense”. Mas, passados apenas três anos, o ex-militar agora se alinha aos mesmos nomes que antes denunciava.
A justificativa para a guinada? A necessidade de “unir a direita”. Um discurso que soa pragmático demais para quem construiu carreira prometendo romper com o velho conchavo político.
Alinhamento por conveniência
O retorno ao PL — legenda comandada por Valdemar Costa Neto, condenado no escândalo do mensalão também põe em xeque o discurso moralista de Contar. O mesmo político que se vendia como renovador agora se associa a caciques e velhos conhecidos da política tradicional, mostrando que o idealismo pode ceder facilmente ao cálculo eleitoral.
Com o apoio de Reinaldo Azambuja, do governador Eduardo Riedel e da senadora Tereza Cristina, Contar tenta se reposicionar como peça útil em um projeto de poder mais amplo. Mas, para quem se dizia defensor da transparência e da coerência, o gesto tem sabor de rendição.
De guardião da moral à política de conveniência
O episódio ilustra o que parece ser a mais nova tendência entre os autoproclamados “novos políticos”: a rápida adaptação às velhas práticas quando o jogo exige. Capitão Contar, que já se apresentava como inimigo dos corruptos e dos conchavos, agora faz parte da engrenagem que antes condenava.
Ao aceitar caminhar ao lado de quem já tentou derrubar, o ex-deputado reforça uma triste constatação: no tabuleiro político, princípios muitas vezes são descartáveis e a coerência, um artigo cada vez mais raro.




















